A cognição lógica e a estética, a comunicação sensorial

A partir do advento da imprensa, a aquisição do conhecimento tem sido predominantemente por meio da cultura letrada.

Com a invenção de Gutenberg a escrita assume uma centralidade jamais vivenciada desde sua origem, especialmente a partir dos alexandrinos.

Praticamente toda a estrutura do processo do pensamento ocidental foi balizada pela documentação do saber por meio das letras.

O homem passou a ler o mundo, literalmente pelos textos registrados pela imprensa, interpretando os atos e fatos pelo império da lógica, do conceito, do método cartesiano de compreender a realidade.

A estética entendida como a linguagem promotora do conhecimento por meio da percepção, das sensações foi sufocada, subjulgada durante este predomínio da escrita  e da escrita imprensa.

Coube as artes responderem pela expressão estética da vida, invariavelmente compreendida conscientemente à margem do processo da aquisição do conhecimento.

Dando um salto no tempo, com o desenvolvimento em proporção estratosférica da tecnologia digital, a transmissão do conhecimento está sofrendo uma revolução tão estratosfericamente relevante que só se compara ao próprio surgimento da imprensa e suas consequências.

Entre os aspectos que está cada vez mais evidente é o crescente desenvolvimento da cognição estética, da linguagem que os sentidos humanos podem promover como veiculo autentico de geração de conhecimento, ao lado da cognição codificada, representada pela comunicação verbal, seja pela escrita ou mesmo pela fala.

Neste contexto contemporâneo, o homem está num constante processo de ensino-aprendizagem de interação com o mundo a partir da visão, audição, tato, olfato e pela gustação.

Muitas vezes nos valemos dos nossos sentidos para utiliza-los apenas nas nossas necessidades existenciais, de sobrevivência, de percepção pragmática, invariavelmente inconscientes do verdadeiro poder contido na sensorialidade.

Todos os sentidos humanos necessitam de uma ação coordenada que combinem os atributos do ver, o ouvir, o tato, o olfato, o palato, os vários ritmos dos movimentos que são aptidões capazes de gerar conhecimento, com formas e intensidades variadas, dependendo das características de cada indivíduo.

Uns aprendem mais por meio das imagens, outros pela palavra falada, pela música, pelo movimento. Todos os alfabetizados possuímos a habilidade linguística, a capacidade de ouvir, ler e escrever histórias.

Utilizamos a intuição, a memória, a imaginação, a sensibilidade apurada percebidas externamente que nos possibilitam conhecer novas realidades, elaboramos novas visualizações mentais.

Isso se dá quando imaginamos, sonhamos, pensamos mesmo quando estamos acordados, quando estamos meditando, quando conjecturamos cenários por meio da nossa mente.

Podemos perceber, sentir, tanto linearmente, como de forma tridimenssional, depende sobremaneira de como e com que intensidade nos posicionarmos na busca do crescimento e do desenvolvimento pessoal.

O predomínio da maneira de percebermos o mundo é tão variada, como é diversa a nossa individualidade. Se temos sensibilidade visual para compreendermos a realidade, também somos sensíveis para a percepção interna de forma visual, explorando o imaginário, recordando momentos registrados em nossa memória.

Por meio do ver, ouvir, tocar, cheirar, sentir podemos aprendemos e apreendemos a compreender e a nos comunicar com o mundo, a partir dos atributos dos sentidos externos e do nosso sentimento.

Assim como somos ensinados a ler, a escrever e os segredos da matemática, assim também é possível aprender a falar discursivamente, sermos educados a gerir os vários olhares da visão, a audição, a usar tato para gerar conhecimento, alias, o sentido mais pessoal, bem como a cheirar e a degustar.

Todos os sentidos humanos podem ser alvo de atividade estruturada na área da educação formal, disciplinas a serem ensinada curricularmente, um processo educacional focado e dedicado a nossa sensorialidade.

Podemos sim seremos educados sensorialmente e consequentemente ampliar nossa cognição estética que associada a comunicação lógica, conceitual consagrada universalmente pode aumentar significativamente a nossa capacidade de aquisição do conhecimento e do exercício da nossa humanidade.

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