Introdução à Economia da Oralidade

A Economia[1] da Oralidade é um campo de estudos interdis-ciplinares entre três domínios: a Economia, a Oralidade e a Comunicação, numa abordagem transdisciplinar.

A transdisciplinaridade abrange os vínculos que cada campo científico tem com o universo do som produzido pela voz humana, entre as quais: Antropologia, Filosofia, Linguagem, Filosofia da Linguagem, Linguística, Programação Neurolinguística, Acústica, Música, Fisiologia, Medicina, Psicanálise, Hipnose, Storytelling, Arte Cênica, entre outros não menos relevantes.

As áreas do conhecimento elencadas são tratadas como insumo teórico e prático para viabilizar o desenvolvimento da Oralidade, preservando a integralidade e a independência de cada uma delas, guardando suas características e naturezas a que se destinam, dentro do princípio transdisciplinar.

A Economia da Oralidade, formulada com base na centralidade que a Oralidade ocupa no cotidiano social, constitui-se num fator socioeconômico nuclear na pós-modernidade, por intervir e interferir sistematicamente nas relações humanas.

Parte-se da premissa celular que todo o dito causa mudança de comportamento e promove a alteração do consumo de bens e serviços, o que nos permite asseverar que a Economia da Oralidade é uma área motriz, notadamente no âmbito da Nova Economia, através dos seus vários segmentos: Economia da Informação, Economia do Conhecimento, Economia da Criatividade, Economia Comportamental,  Economia Colaborativa, entre outras áreas econômicas.

Ela envolve evidências objetivas, sustentadas na estrutura matricial das Ciências Econômicas, capaz de estimular e viabilizar o compartilhamento e a transferência de capitais e ativos intangíveis, como insumo produtivo para atender as demandas de mercado, através do uso planejado da linguagem, como marco notório[2] da cultura humana, para criar e recriar realidades, atribuir significados e re-significados[3] aos novos contextos e circunstâncias econômicas.

Compreende-se por capitais e ativos intangíveis todas as propriedades de indivíduos e corporações que, apesar de não serem palpáveis, são possuidoras de características perfeitamente reconhecidas, como marcas, estratégias de inovação, conhecimento, valores e princípios, incluindo a capacidade de comunicação com o mercado e com a Sociedade.[4]

Esta área econômica contempla a Oralidade sob o enfoque da Teoria Econômica, dos Setores Econômicos, da Macroeconomia e da Microeconomia, dos Agentes Econômicos, dos Recursos Escassos, dos Insumos Produtivos, do Mercado, dos Fatores Econômicos,  aspectos que detalharemos mais adiante.

Trata-se de um campo de estudo relevante para as novas relações empresariais, produtivas e mercadológicas, necessitadas do impulso gerado pela Oralidade.

A Economia da Oralidade se[5] propõe a dimensionar a intervenção da Oralidade nos mais variados contextos e circunstâncias, sob a perspectiva das implicações socioeconômicas, seja para o individuo, para empresas ou[6] países, conforme as demandas dos consumidores, dos mercados, dos setores econômicos, seja no âmbito da micro ou da macroeconomia.

Pondera-se que o valor da Economia da Informação, da Economia[7] do Conhecimento, da Economia da Colaboratividade, e da Economia Criativa, está em grande monta na capacidade de transferência de capitais e ativos intangíveis, através desta área econômica, dedicada aos processos dialógicos, intercâmbios conversacionais, entre outros âmbitos comunicativos.

Portanto, considera-se essencial valorar todos estes segmentos da Nova Economia, acentuando a fundamentalidade[8] de uma perspectiva mais concreta e precisa sobre uma área econômica que trate da capacidade de expressão mais próxima possível da plenitude, através da Oralidade.

A etimologia nos elucida a relação da Oralidade com o significado da palavra “pessoa”. No grego a expressão é per son quer dizer ‘por meio do som’,[9] no latim persona, per (por) + sona (som). A palavra pessoa significa através do som, naturalmente produzido pela voz humana.

Portanto, a pessoa é manifestada pelo som articulado que ela emite, expondo a sua individualidade, sua personalidade, sua identidade.

A voz é a função do corpo que mais se expõe e a que mais nos expõe; e saber utilizá-la com excelência é uma importantíssima habilidade e um relevante fator socioeconômico nas relações pessoais e profissionais.

O que nos leva a deduzir, pela contribuição da etimologia, que a voz é a nossa principal marca pessoal e que nos permite afirmar a nossa marca pessoal.  É o nosso principal?[10] ativo econômico.

Por meio da voz é que somos identificados e como nos identificamos com o mundo, disponibilizando ao mercado os nossos atributos pessoais e as nossas competências profissionais, responsáveis pela nossa sustentabilidade.

E é pelo conjunto das marcas pessoais economicamente ativas que alcançamos a máxima produtividade na Nova Economia, por intermédio do valor agregado dos capitais e ativos intangíveis.

A Economia da Oralidade responde pela análise da produção, da distribuição e do consumo da Oralidade na cena pública.

Na análise da produção da Oralidade sob a perspectiva econômica, necessita-se da estrutura da Linguística, constituída pela construção da Sintaxe, da composição do texto oral; a Fonologia e Fonética, a entonação, ritmo, velocidade, da Semântica, da Lógica, do significado da palavra e da Análise do Discurso.

A distribuição tem sido imensamente avançada pelo constante surgimento das novas tecnologias, impactando diretamente o comportamento do usuário, seja produtor ou consumidor da Oralidade. Ela pode ser presencial ou midiática que, por sua vez, pode ser síncrona ou assíncrona, entre outras tantas alternativas de distribuir ou compartilhar a Oralidade.

Igualmente, o consumo da Oralidade tem registrados[11] resultados históricos, ao ponto de emergir uma nova era da Oralidade, em função das inúmeras opções tecnológicas que proporcionam inovadoras maneiras de recepção de conteúdos de natureza oral, seja eminentemente auditiva ou audiovisual, especialmente pela conveniência e adequação do seu consumo ao modo de vida da Sociedade.

Esta área da Economia se propõe a valorar a Oralidade e as suas respectivas repercussões socioeconômicas, através de elaboração de processos, metodologias e sistemas que possibilitem gerar evidências objetivas e indicadores de desempenho, compreendendo instrumentos de aferição coerentes[12] com a sua natureza comunicativa destinada para determinado enunciado ou evento comunicativo em análise.

A Oralidade é uma modalidade do uso da língua, que está circunscrita no campo da Linguística.

É um bem social inato, diferentemente do letramento, que é um bem cultural, uma tecnologia.

O principal objeto da Economia é a satisfação das necessidades ilimitadas das pessoas e, seguramente, a Oralidade é vital em toda relação humana e na escolha adequada dos usos dos recursos escassos.

Os recursos escassos desta área econômica são basicamente os fatores de produção, e são classificados em fixos ou variáveis.

Entre os fatores de produção escassos fixos estão o tempo e o espaço, que também podem ser concebidos numa condição, tempo-espacial sob a perspectiva da Física Quântica, que é juntamente (?) a condicionante da existência do fenômeno som.

Além do fator de produção tempo-espacial, que é um meio de medir uma percepção de mudança, há outros igualmente essenciais na Oralidade, entre os quais destacamos a atenção, os níveis de atenção, que classificamos como variáveis sobre o ato da fala.

O recurso escasso “atenção” está baseado da teoria da carga cognitiva, que descreve  os fenômenos da memória de curto prazo, também nominada memória de trabalho e a memória de longo prazo, que devem ser impreterivelmente contabilizadas para viabilizar uma Oralidade eficaz.

A linguagem oral é um sistema pelo qual o homem comunica seus sentimentos e ideias e estabelece conexões de natureza socioeconômicas.

Planejar a fala para cada necessidade é essencial. Para cada demanda comunicativa é indispensável um plano de fala, pensar antes de falar, projetar nossas falas, considerando o que produzir, como produzir e para quem produzir. Por ser uma atividade econômica nuclear, negligenciá-la é somar ou até multiplicar desperdício da riqueza da nossa humanidade.

Propõe-se a elaboração de planejamento dedicado à produção da Oralidade, que compreende a preparação, ensaio e implementação, capaz de proporcionar ao praticante alcançar a sua melhor performance.

A Oralidade tem grande influência na maneira como vivemos. É por meio dela que as pessoas se comunicam com o mundo externo. É através do planejamento da fala que estabelecemos os nossos pontos de contato com o mercado.

É essencial a prática de planejar, pensar antes de falar, ganhando performance na comunicação, evitando o conflito e o ruído e semeando informação, diálogo e relacionamento humano. Por isso, concebemos que a Economia da Oralidade promove a satisfação das necessidades humanas.

Troca de experiência na Nova Economia, em especial, na Economia Criativa, através da internação (?) dialógica entre as pessoas, da oportunidade de compartilhamento das competências e experiências individuais.

A expressão economia, do grego, significa lei da casa, regra, administração da casa de oikos (casa) e nomos (lei).[13] Portanto A Oralidade é um atributo humano que não será substituído por nenhuma tecnologia, mesmo com o avanço da inteligência artificial. Ela é um fator de identidade social, regional, grupal dos indivíduos, com plena repercussão no econômico.

A viabilização do uso da linguagem oral em cada meio social compreende identificar a cultura do grupo social alvo da comunicação para definir o alinhamento e o afinamento da Oralidade, constituída pelo objeto de linguagem e pela performance oral.

A Economia da Oralidade diagnostica que as transformações geradas pela era digital propiciou uma nova era da Oralidade, resgatando a autêntica e insuperável forma de o homem se comunicar.

A capacidade de produzir mais, usando menos quantidade de fatores de produção, é um princípio econômico também para a Oralidade, o que, na prática, significa aumentar a produtividade nos processos produtivos da fala e na produtividade da economia como um todo, resolvendo um impasse estratosférico nas organizações, que é o prejuízo causado pela ausência de clareza nas comunicações constantes entre seus integrantes.

Regra de ouro da economia da Oralidade: “Não fale mais do que efetivamente você sabe” e outra: “poupe pelo menos 10% de tudo o que você pode dizer”.

Sob o ponto de vista da Economia da Oralidade, algumas dicas:

  1. Avalie os impactos de seu consumo auditivo.
  2. Consuma (ouça) apenas o necessário.
  3. Transforme seus sonhos em realidade, a Oralidade em riqueza, valor agregado.

Numa analogia, ainda num ensaio, podemos considerar, para efeito desta área da Economia: como setor primário a Oralidade presencial, o secundário a Oralidade midiática e o terciário a interface de voz. A Robótica através da inteligência artificial.

São dois os grupos na teoria econômica: a macroeconomia e a microeconomia, inter-relacionadas, compreendendo o estudo dos objetos da economia enquanto ciência:

  • O comportamento dos agentes econômicos;
  • A escassez de produtos ou insumos;
  • O processo produtivo;
  • A inter-relação entre os agentes econômicos que formam o mercado.

Entretanto, a consciência da Oralidade é considerável-mente superficial. Creio, entre múltiplas razões, que o excesso de oferta de fala gera diminuição da procura, ou seja, na percepção do que é de real valor socioeconômico.

Sob a perceptiva econômica, a voz como recurso fisiológico básico da pragmática/discursiva da Oralidade é um insumo abundante e, pela lógica da lei da oferta e da procura de interesse superficial, superficial percepção de valor, diretamente desproporcional à centralidade na prática social do uso da linguagem oral.

Entre os fatores de produção da oralidade, nos valemos dos fatores básicos da economia: Terra, capital e trabalho.

Adequando os fatores de produção para a perspectiva da oralidade, temos “terra”  nosso aparato corporal, os aspectos fisiológicos e neurofisiológicos, o sistema fonador, o respiratório, a sensorialidade, considerando a capacidade perceptiva, o ver, ouvir, sentir; a cognitiva, o processo e funcionamento mental, as características da individualidade, capacidade inerente de cada um, e assim por diante, o que trataremos mais à frente.

Contextualizamos o capital como o capital intelectual, o conhecimento adquirido por indivíduos ou grupos sociais, organizações, corporações. É o capital e ativo intangíveis alvo da Nova Economia.

Trabalho, neste contexto, é a Oralidade em si, como fator socioeconômico: o ato de fala, a utilização do fator terra e capital.


Quais seriam os setores econômicos: primário, secundário e terciário da Economia da Oralidade?

Numa hipótese e ser investigada, mas usando de analogia podemos considerar para efeito desta área da economia que o setor primário da Oralidade o presencial, o contato direto, pessoal, ocupando um mesmo tempo e espaço, estabelecendo uma interação plena, um intercambio conversacional, onde todos os ingredientes de um cenário comunicativa estão ativos.

O setor secundário da Economia da Oralidade é o midiático.

Ele está nas interações através de meios de comunicação entre os atores de determinada comunicação.

E a terciária consideramos as interfaces de voz, a robótica através da inteligência artificial, ainda em desenvolvimento, em processo de aperfeiçoamentos com pretensões futuristas ousadas.

Já a atividade macroeconômica ocorre pela somatória dos hábitos de produção, consumo e acumulação de bens de todos que fazem parte destes agrupamentos. A maneira como nós medimos a atividade macroeconômica é através de agregados econômicos.

A macroeconomia representa a soma de todas as transações econômicas feitas pelas diversas partes do grupo estudado, seja uma cidade, um estado ou um país.

Na Economia da Oralidade trataremos a macroeconomia por âmbito e abrangência de determinado evento comunicativo ou enunciado. São caracterizados pela dimensão da comunicação, internacional, nacional ou mesmo local no contexto da cena pública, estando diante de agrupamentos humanos.

A microeconomia nos traz um cenário mais restrito, de maior pessoalidade. Quando abordamos a microeconomia, observamos que ela se refere ao estudo dos comportamentos de consumo da oralidade das pessoas, das famílias e das empresas, que resulta no consumo de bens e serviços tangíveis e intangíveis.

Refere-se ao estudo da produção de bens e serviços exclusivamente intangíveis, formação de opinião modificadora do comportamento e do consumo ideológico, filosófico, modelos mentais, entre outros e fatores da produção relacionados a estes indivíduos, famílias e empresas, como nos ensina Bacha (2004).

Agentes econômicos são todos os indivíduos, empresas e órgãos públicos que participam de um mercado e possuem uma relação de troca de bens ou serviços.

A circulação de informação e de conhecimento é um fenômeno econômico gerador de riqueza e valor que se dá pelo movimento promovido pela interação entre os atores envolvidos em cada propósito e isso se materializa essencialmente pela oralidade.

Neste ponto, consideramos oportuno definir a extensão da conceituação de oralidade como fator econômico motriz da nova economia.

Trata-se de prioritariamente do ato de fala, mas compreende o processo de elaboração verbal e não verbal do pensamento transmitido oralmente, a linguagem oral na fala e na escrita, configurando formas mistas que trataremos mais adiante e o ato de leitura que se dá pelo fenômeno da dupla decodificação cognitiva, dos signos gráficos em sinais sonoras, ou seja parte da área visual para a área auditiva cérebro, mesmo que sem o uso das cordas vocais, num som inaudível.

Se aprofundarmos plenamente a questão, fica notória a abrangência da oralidade e daí o seu fator socioeconômico motriz. No ato de leitura há o hábito de se balbuciar os lábios para ajudar na compreensão do texto escrito e ainda mais tácita é a leitura em voz alta.

As informações, o conhecimento, a criatividade, os aspectos comportamentais, colaboratividade e assim por diante são mobilizados, impulsionados invariavelmente pelo exercício dialógico, conversacional da oralidade, gerando eficazes e eficientes incentivos socioeconômicos.

Assim como quanto maior for a circulação de moeda maior será a saúde econômica, assim também se dá quanto a circulação da oralidade.

Quanto mais diálogos e conversar representativas de valor, maior será a saúde socioeconômica.

Assim como quanto menos retermos a circulação de moedas, aguardando-as nos “cofrinhos”, ou mesmo apostarmos no mercado de capitais, ao invés de investirmos na produção de bens e serviços, tanto tangíveis como intangíveis, maior a emissão de moeda pelo governo será necessária.

Assim também de retivermos informações, conhecimentos, criatividade, entre outras área especialmente da nova economia, maior será a emissão de mensagens sofistas, mentiras com cara de verdade, notícias falsas, o que correspondem as moedas falsas, causadores de imensuráveis damos a economia.

Assim, como a informação é a moeda da internet, a palavra é a moeda da oralidade e esta da nova economia.

Alertando que a teoria que corresponde à Economia da Oralidade está apenas nascendo, mas é possível antever que o tamanha que vai ocupar é de difícil mensuração.

Com base na afirmação de que economia é o estudo dos incentivos, ou seja, como os indivíduos conseguem o que desejam, ou aquilo de que necessitam, considerando também quando outras pessoas desejam o mesmo ou necessitam dela.

Um incentivo é uma objeto de desejo tangível ou intangível, uma chave que abre o baú de tesouro do pensamento, uma mola propulsora e impulsionadora da nova economia viabilizada pela Oralidade, especialmente pelo poder semântico da pela palavra-chave, capaz de transformar contextos e circunstâncias socioeconômicas.

Neste sentido a Oralidade cumpre integralmente este propósito de persuadir os ouvintes a fazer aquilo que o orador está afirmando.

Isto se dá invariavelmente através de um dos seus segmento mais nobres da oralidade, a oratória, entendida como a arte da persuasão.

Incentivos são meios para estimular as pessoas desejem realizar tarefas que beneficiem a si mesmas e à sociedade, minimizando fazer o que aquilo que não convêm.

Como ciência da economia é , a princípio, um conjunto de ferramentas e não uma matéria em si, nenhum tema, por mais alheio que lhe pareça, deve ser considerado fora do seu alcance, conforme afirma Steven D. Levitt em seu livro FREAKONOMICS,

(trata-se de um ensaio, sujeito constantes atualizações)