Economia da Oralidade

A Economia da Oralidade é um campo de estudos entre Economia, Oralidade e Comunicação, numa abordagem transdisciplinar.

A transdisciplinaridade na Economia da Oralidade abrange os vínculos que cada campo científico tem com o universo do som produzido pela voz humana.

A visão transdisciplinar configura o propósito do desenvolvimento da Oralidade por meio da observação plena em cada área investigada, demonstrando a natureza e características da Economia da Oralidade.  

A transdisciplinaridade é uma abordagem científica que visa a unidade do conhecimento. Desta forma, procura estimular uma nova compreensão da realidade articulando elementos que passam entre, além e através das disciplinas, numa busca de compreensão da complexidade. Além disso, do ponto de vista humano a transdisciplinaridade é uma atitude empática de abertura ao outro e seu conhecimento. (Hélio Teixeira – Cientista-chefe do Centro de Estudos e Pesquisa em Ciência de Dados e Inteligência Artificial do IHT)

Entre as áreas elencamos: Antropologia, Filosofia, Teologia, Neurociência, PNL – Programação Neurolinguística, Psicologia, Acústica, Música em especial o estudo do Canto, Fisiologia, Medicina, Psicanálise, Hipnose, Storytelling, Arte Cênica, entre outros igualmente relevantes.

Essas áreas servem como insumo teórico e prático para viabilizar o desenvolvimento da Oralidade, dentro do princípio transdisciplinar.

A Economia da Oralidade constitui-se numa área socioeconômica nuclear na pós-modernidade, pelo fenômeno da Oralidade intervir e interferir orgânica e sistematicamente nas relações humanas.

Parte-se da premissa celular na Economia da Oralidade que todo o dito causa mudança de comportamento e promove a alteração do consumo de bens e serviços, em níveis de experiência que vai do mais sutil, quase imperceptível, ao mais intenso, plenamente identificável.

Esta área econômica contempla a Oralidade sob o enfoque da Teoria Econômica, dos Setores Econômicos, da Macroeconomia e da Microeconomia, dos Agentes Econômicos, dos Recursos Escassos, dos Insumos Produtivos, do Mercado, dos Fatores Econômicos, da Teoria do Consumidor entre outros componentes econômicos.

A Economia da Oralidade envolve a capacidade de transferência de capitais e ativos intangíveis, como insumo produtivo para atender as necessidades de mercado, por meio do uso pleno da linguagem, como marco notório da cultura humana.

Ela é capaz de criar e recriar realidades, atribuir significados e resinificados às demandas dos novos contextos e circunstâncias econômicas geradas pela Nova Economia.

Compreende-se por capitais e ativos intangíveis todas as propriedades de indivíduos e corporações que, apesar de não serem tangíveis, são possuidoras de características perfeitamente reconhecidas, como marcas, estratégias de inovação, conhecimento, valores e princípios, incluindo a capacidade de comunicação com o mercado.

PROPÓSITOS DA ECONOMIA DA ORALIDADE

A Economia da Oralidade se propõe a dimensionar a intervenção da Oralidade nos mais variados contextos e circunstâncias, sob a perspectiva das implicações socioeconômicas, seja para o indivíduo, para empresas ou países, conforme as demandas dos consumidores, dos mercados, dos setores econômicos, sejam no âmbito da micro ou da macroeconomia.

Isso nos permite asseverar que a Economia da Oralidade é uma área socioeconômica motriz notadamente no âmbito da Nova Economia, por intermédio de processos comunicativos, intercâmbios conversacionais, fluxos dialógicos, entre tantas outras competências necessárias para os desafios nos ambientes relacionais.

Esta área econômica tem a capacidade de atuar diretamente na sustentação linguística, geradora de riqueza e valor agregado, a partir das relações estabelecidas entre e pelos atores de cada setor econômico com os seus respectivos interlocutores.

O objetivo é erigir novos significados e nexos para as áreas da Nova Economia, tais como: Economia da Informação, Economia do Conhecimento, Economia CriativaEconomia Colaborativa, da Economia Comportamental entre outros.

Abrange também as áreas emergentes da Neurociência, entre as quais aNeuroeconomia, Neurobusiness e Neuromarketing.

A Economia da Oralidade aplica a estrutura da linguística, capaz de revelar o perfil e o comportamento humano e em consequência do consumidor para diagnosticar por que e como as pessoas tomam decisões econômicas sob as mais variadas condições.

ANÁLISE DAS ETAPAS DA ECONOMIA DA ORALIDADE

Compete a Economia da Oralidade atuar na análise da produção, da distribuição e do consumo da Oralidade no âmbito da micro e macroeconomia.

Para a análise da produção da Oralidade sob a perspectiva econômica, necessita-se da estrutura da Linguística, constituída pela construção da Sintaxe, da composição do texto oral; a Fonologia e Fonética, a entonação, ritmo, velocidade, da Semântica, da Lógica, do significado da palavra e da Análise do Discurso.

A distribuição tem sido imensamente avançada pelo constante surgimento das novas tecnologias, impactando diretamente no comportamento do usuário, seja na condição de produtor ou consumidor da Oralidade. Ela pode ser presencial ou midiática que, por sua vez, pode ser síncrona ou assíncrona, entre outras tantas alternativas de distribuir e/ou compartilhar esta modalidade da língua.

Igualmente, o consumo da Oralidade tem registrados resultados históricos, ao ponto de emergir uma nova era da Oralidade, em função das inúmeras opções tecnológicas que proporcionam inovadoras maneiras de recepção de conteúdos de natureza oral, seja eminentemente auditiva ou audiovisual, especialmente pela conveniência e adequação do seu consumo ao modo de vida da Sociedade.

Esta área da Economia propõe elaborar processos, metodologias e sistemas que possibilitem gerar evidências objetivas e indicadores de desempenho de eventos comunicativos alvo de análise, por meio de instrumentos de aferição coerentes com a natureza da Oralidade.

RECURSOS ESCASSOS NA ECONOMIA DA ORALIDADE

O principal objeto da Economia é a satisfação das necessidades ilimitadas das pessoas e, seguramente, a Oralidade é vital em toda relação humana e na escolha adequada dos usos dos recursos escassos.

Os recursos escassos desta área econômica são basicamente os fatores de produção, e são classificados em fixos ou variáveis.

Entre os fatores de produção escassos fixos estão o tempo e o espaço, que também podem ser concebidos numa condição tempo-espacial sob a perspectiva da Física Quântica, que é a condicionante da existência do fenômeno som.

Além do fator de produção tempo-espacial, que é um meio de medir uma percepção de mudança, há outros igualmente essenciais na Oralidade, entre os quais destacamos a atenção, os níveis de atenção, que classificamos como variáveis sobre o ato da fala.

O recurso escasso “atenção” está baseado da teoria da carga cognitiva, que descreve os fenômenos da memória de curto prazo, também nominada memória de trabalho e a memória de longo prazo, que devem ser impreterivelmente contabilizadas para viabilizar uma Oralidade eficaz.

COMPONENTES DA ECONOMIA DA ORALIDADE

Pode-se considerar, para efeito de enquadramento da Oralidade nesta área da Economia como setor primário a Oralidade presencial, o secundário a Oralidade midiática e o terciário a interface de voz, o uso na robótica através da inteligência artificial.

São dois os grupos na teoria econômica: a macroeconomia e a microeconomia, inter-relacionadas, compreendendo o estudo dos objetos da economia enquanto ciência:

O comportamento dos agentes econômicos manifestado pela fala;

A escassez de produtos ou insumos entre os quais tempo, espaço e atenção;

O processo produtivo impulsionado pela oralidade eficaz entre os agentes econômicos no mercado;

O mercado como um espaço real ou virtual essencialmente onde se estabelecem as relações dialógica, conversacional entre os agentes econômicos que o constituem.

Em consonância com o marketing em geral, o neuromarketing, a neuroeconomia, o neurobusiness que diagnosticam o comportamento do consumidor basicamente por meio de processos tecnológicos de imagem através de recursos de ressonância magnética.

Entretanto, o diagnóstico da consciência da Oralidade é consideravelmente superficial. Entre múltiplas razões possível, nos valemos da lei da oferta e da procura que nos mostra o excesso de falas e a escassez da procura, neste senti, na minimização da percepção do valor.

Sob a perceptiva econômica, a voz como recurso fisiológico básico da pragmática/discursiva da Oralidade é um insumo abundante e de superficial percepção de valor, diretamente desproporcional à centralidade que ela ocupa na prática social no uso da linguagem.

FATORES DE PRODUÇÃO DA ECONOMIA DA ORALIDADE

Entre os fatores de produção da oralidade, nos valemos dos fatores básicos da economia: Terra, capital e trabalho.

Adequando os fatores de produção para a perspectiva da oralidade, temos “terra” nosso aparato corporal, os aspectos fisiológicos e neurofisiológicos, o sistema fonador, o respiratório, a sensorialidade, considerando a capacidade perceptiva, o ver, ouvir, sentir; a cognitiva, o processo e funcionamento mental, as características da individualidade, capacidade inerente de cada um, e assim por diante, o que trataremos mais à frente.

Contextualizamos o capital como o capital intelectual, o conhecimento adquirido por indivíduos ou grupos sociais, organizações, corporações. É o capital e ativo intangíveisalvo da Nova Economia.

Trabalho, neste contexto, é a Oralidade em si, como fator socioeconômico: o ato de fala, a utilização do fator de produção terra e capital.

SETORES ECONÔMICOS DA ECONOMIA DA ORALIDADE

Quais seriam os setores econômicos: primário, secundário e terciário da Economia da Oralidade?

Numa hipótese e ser investigada, mas usando de analogia podemos considerar para efeito desta área da economia que o setor primário da Oralidade é a fala, o contato direto, pessoal, ocupando um mesmo tempo e espaço, estabelecendo uma interação plena, um intercambio conversacional, onde todos os ingredientes de um cenário comunicativa estão ativos.

O setor secundário da Economia da Oralidade é a linguagem oral por meio da escrita, uma modalidade mista.

A Oralidade no modo escrito, atualmente esta prática se dá massificadamente nas integrações por intermédio das redes digitais.

E a terciária pela hipertextualidade.

Já a atividade macroeconômica ocorre pela somatória dos hábitos de produção, consumo e acumulação de bens de todos que fazem parte destes agrupamentos. A maneira como nós medimos a atividade macroeconômica é através de agregados econômicos.

A macroeconomia representa a soma de todas as transações econômicas feitas pelas diversas partes do grupo estudado, seja uma cidade, um estado ou um país.

Na Economia da Oralidade trataremos a macroeconomia por âmbito e abrangência de determinado evento comunicativo ou enunciado. São caracterizados pela dimensão da comunicação, internacional, nacional ou mesmo local no contexto da cena pública, estando diante de agrupamentos humanos.

A microeconomia nos traz um cenário mais restrito, de maior pessoalidade. Quando abordamos a microeconomia, observamos que ela se refere ao estudo dos comportamentos de consumo da oralidade das pessoas, das famílias e das empresas, que resulta no consumo de bens e serviços tangíveis e intangíveis.

Refere-se ao estudo da produção de bens e serviços exclusivamente intangíveis, formação de opinião modificadora do comportamento e do consumo ideológico, filosófico, modelos mentais, entre outros e fatores da produção relacionados a estes indivíduos, famílias e empresas, como nos ensina Bacha (2004).

AGENTES ECONÔMICOS DA ECONOMIA DA ORALIDADE

Agentes econômicos são todos os indivíduos, empresas e órgãos públicos que participam de um mercado e possuem uma relação de troca de bens ou serviços.

Para os agentes econômicos indivíduos, a Economia da Oralidade através das suas áreas de atuação, propõe:

Expansão a consciência sobre o ato comunicativo;

Entendimento da relações cognitivas da palavra e estéticas da voz;

Conhecimento o papel das funções da linguagem, especialmente a poética

Compreensão o universo do som das palavras (fonética);

Aprimoramento o controle sobre o fenômeno da fala como atributo básico para o relacionamento social e profissional;

Elaboração um plano mental de conversação, incluindo alternativas para possíveis mudanças de rumo;

Planejamento tática, técnica e estrategicamente a sua comunicação falada;

Discernimento e monitoramento da entonação, o ritmo, a velocidade, o volume, a frequência, o tom de grave e de agudo da sua voz, entre outros elementos sonoros;

Avaliação em que contextos e circunstâncias a comunicação está sendo realizada;

Harmonização e influenciar o clima de um ambiente através de uma comunicação eficaz;

Identificação e avaliar a sua comunicação intrapessoal;

Aquisição a habilidade de ouvir com exatidão o que está sendo dito;

Como aprender a ser assertivo na sua comunicação interpessoal, resultado de uma escuta eficiente;

Identificação as características do perfil do receptor e perceber o efetivo interesse sobre o que está sendo dito;

Como interagir oportunamente nas conversações;

Identificação e avaliar a sua comunicação intrapessoal;

Usar o recurso do silêncio, da pausa, indispensável para gerar compreensão da mensagem;

Perguntas pertinentes, provocativas e para obter respostas abertas.

Para aos agentes econômicos empresas e órgãos públicos, a proposta é:

Valorização de cada colaborador da corporação, acentuando o sentimento de pertencer a uma organização de boa história e de imagem atual;

Intercomunicação nos diversos setores/departamentos, para potencializar a produtividade e ampliar uma visão holística de todos colaboradores;

Dar oportunidade a participação dos colaboradores, motivando o compromisso com os resultados da corporação;

Minimização dos potenciais prejuízos causados pelo chamado “rádio corredor”;

Promoção a transparência e sustentabilidade na gestão e estabelecendo a informação oficial;

Criação identificações para filtrar a validade dos produtos e/ou serviços que são destinados ao mercado;

Maximização a retenção do capital intelectual na organização;

Registros e documentos do conhecimento organizacional, a partir de abordagem das respectivas fontes;

Minimização conflitos nas esferas judiciais;

Criar vínculos em todos os níveis da organização, a partir da formação de grupos de interesse;

Fortalecimento a cultura organizacional, considerando a importância da comunicação interna informal.

Para aos agentes econômicos empresas e órgãos públicos:

Valorização de cada colaborador da corporação, acentuando o sentimento de pertencer a uma organização de boa história e de imagem atual;

Intercomunicação nos diversos setores/departamentos, para potencializar a produtividade e ampliar uma visão holística de todos colaboradores;

Oportunizar a participação dos colaboradores, motivando o compromisso com os resultados da corporação;

Minimizar os potenciais prejuízos causados pelo chamado “rádio corredor”;

Promover a transparência e sustentabilidade na gestão e estabelecendo a informação oficial;

Criar identificações para filtrar a validade dos produtos e/ou serviços que são destinados ao mercado;

Maximizar a retenção do capital intelectual na organização;

Registrar e documentos o conhecimento organizacional, a partir de abordagem das respectivas fontes;

Minimizar conflitos nas esferas judiciais;

Criar vínculos em todos os níveis da organização, a partir da formação de grupos de interesse;

Fortalecer a cultura organizacional, considerando a importância da comunicação interna informal.

SEGMENTOS DA ECONOMIA DA ORALIDADE

A Economia da Oralidade está fundamentada nos princípios, processos, metodologias, estruturas da Economia Clássica, com sua aplicação voltada à Nova Economia.

Esta área econômica possui, entre outros possíveis, os seguintes segmentos:

  • Design: Trata-se do Design da Oralidade, da Tecnologia da Oralidade, nominada de Voice Design;
  • Organizacional: Aplicação da Economia da Oralidade no âmbito interno e externo das Organizações;
  • Educacional: Presencial, Semi-Presencial e Educação à Distância
  • Audiovisual: Produção de conteúdo audiovisual, compreendendo roteirização, performance,
  • Interface de Voz: Aplicada ao Voice User Interface Design.

SEGMENTO DESIGN DA ECONOMIA DA ORALIDADE

O segmento Design da Economia da Oralidade é nominado de Voice Design, o design da voz para fins comunicativos, concebido como, design da oralidade.

A Oralidade é uma modalidade do uso da língua. A sua utilização na prática social.

A finalidade de prover a aquisição do estado pleno de consciência da oralidade, durante os contextos e circunstâncias comunicativas que permitam exercer o completo domínio sobre os atributos da tecnologia da voz, tais como: entonação, o ritmo, a velocidade, o volume, a frequência, o tom de grave e de agudo, entre outros recursos de fonação.

Voice Design enfatiza que é essencial pensar antes de falar, a prática do planejamento da oralidade, evitando o conflito e o ruído e semeando informação, diálogo e relacionamento humano saudável, por isso, o uso da tecnologia da oralidade é uma questão de qualidade de vida, especificamente no ambiente organizacional.

Propõe a elaboração de planejamento para desenvolver habilidades de percepção, produção e de recepção da oralidade, que compreende a preparação e implementação oral, capaz de proporcionar à cada praticante alcançar o seu melhor performance, potencializar a internação entre as pessoas, oportunizar o compartilhamento das competências e experiências individuais em prol do coletivo.

Voice Design diagnostica que a palavra falada tem grande influência na economia da corporação, pois é por meio dela que as pessoas na maior parte do tempo se comunicam.

Compreende a identificação, sistematização, estruturação e viabilização do uso da linguagem adequada a cada meio, da cultura organizacional, do âmbito relacional, do valor do sotaque regional, do alinhamento e afinamento do discurso interno e externo.

O campo de ação do Voice Design abrange identificar, planejar, elaborar, desenvolver, organizar e modelar a marca vocal de cada profissional, num sistema de sonorização capaz de transmitir plenamente a sua personalidade com repercussão direta na corporação e/ou no mercado que atua.

O objetivo do Voice Design é viabilizar a criação da marca vocal para fins profissionais, como fator de influência e na decisão de compra de produto ou serviço oferecido os seus públicos, transmitindo significado e construindo o patrimônio da marca vocal organizacional nos pontos de contato com seus públicos e para melhoraria nos relacionamentos.

São as marcas vocais profissionais com potencial de representarem a marca vocal organizacional, devidamente identificados e reconhecidos como tal na corporação e no mercado.

São eles que emprestam sua voz para a corporação falar e ser reconhecida pelos seus públicos, tanto na sua atuação junto à organização a que está vinculado, como nas suas

Deve-se desenvolver a marca vocal de cada profissional sintomatizada e harmonizada com as características da linguagem da corporação para dar personalidade à marca da voz organizacional, visando garantir maior precisão, autenticidade e embatia.

São características objetivas e subjetivas que farão os consumidores se identificarem com o produto ou o serviço oferecido pela corporação através da influência da marca vocal em todos os pontos de contato com os seus públicos, gerando experiência e relacionamento com a marca.

Nesse contexto, o Voice Design surge como um processo pertinente para alinhar as várias manifestações da marca, criando uma identidade vocal organizacional.

Trata-se de uma área que tem por escopo fornecer e desenvolver estratégias para a marca vocal nas áreas da comunicação interna, institucional, formativa (como cursos, ensino à distância e treinamentos), comercial (ações na área de vendas), marketing de relacionamento, edição de conteúdos de palestras, conferências e pronunciamentos.

Perto de atingirmos a primeira década do Século 21, é fundamental que os gestores entendam seus papéis de comunicadores, implantando a logística adequada a esta atividade;

A qualidade nos discursos comunicativos favorece o entendimento. Efetuar ajustes de tons, sintetizar o conteúdo, contextualizar, equacionar voz para cada ambiente e adequar o vocabulário ao público ouvinte com o entusiasmo necessário é tarefa do Voice Design.

Esta tarefa desenvolvida por todos os gestores na organização pode agregar a colaboração do profissional de comunicação, socializador de conteúdo e conhecimento, buscando na oralidade a melhor forma de se estabelecer uma comunicação corporativa eficiente e eficaz, pois a História tem provado que, em comunicação, nada substitui a força da voz humana.

SEGMENTO ORGANIZACIONAL DA ECONOMIA DA ORALIDADE

A Economia da Oralidade no âmbito organizacional compreende a implementação e a realização de diagnósticos dos fluxos dialógicos, dos contextos e circunstâncias conversacionais, dos ritos e rituais de interação, das temáticas de interesse profissionais, da implantação dos processos midiáticos e das práticas comunicacionais.

O processo consiste da elaboração, gestão e produção da oralidade, adequado à necessidade específica da organização.

A elaboração do diagnóstico para o planejamento do Voice Design se dá pela análise da interação entre os integrantes de determinada organização, através de suas sugestões, ideais e opiniões, obedecendo a horizontaliaridade das relações, sem afetar o princípio da hierarquia.

Objetiva-se identificar a as características especifica da cultura do ambiente corporativo, as expressões chave com as suas respectivas conotações e denotações, bem como os bordões, os jargões e os uso de figuras de linguagem, além de outros recursos linguísticos.

Parte-se da elaboração de um inventário de todas as marcas vocais profissional, minuciosamente identificada por cada um na sua jornada cotidiana, bem como em contextos e circunstâncias especiais e específicas.

Isso ocorre a partir de uma metodologia integrada de comunicação que pode compreender a adoção de recursos de TI aplicados no ambiente e no âmbito corporativo, através da gestão de processos específicos.

Visa-se construir uma dinâmica que integra o relacionamento organizacional em todos os seus níveis ou ao mercado que o profissional está inserido, transformando-se numa relação biunívoca de informações, capacitação e conhecimento, promovida pela oralidade.

Objetivos:

Formar os profissionais vinculados a uma organização e/ou que atuam de determinado mercado;

Ampliar a dimensão da marca vocal do profissional e por extensão da organização ou do mercado a que pertence;

Consciência plena durante ato comunicativo e do processo comunicacional;

Planejar a estratégia da comunicação oral;

Priorizar a ação sobre a atenção no ouvinte;

Entender o papel de comunicador do profissional;

Qualificar o discurso organizacional ou do mercado, a linguagem do meio;

Ganhar assertividade na comunicação;

Criar pontes relacionais que promova resultados efetivos e afetivos entre os profissionais;

Implantar ações planejadas para promover o relacionamento interpessoal em todos os seus níveis;

Aplicar recursos de TI e Telecom que disponibilize meios e ambientes virtuais e reais de integração entre os funcionários;

Promover a sociabilidade organizacional. que gere melhoria nos relacionamentos interpessoais no ambiente de trabalho;

Estimular oportunidades de diálogo que gere comprometimento e potencializar a produtividade;

Conceber a elaboração, gestão e produção de mensagens adequadas à necessidade específica de cada ação comunicacional;

Considerar objetividade ao usar uma linguagem direta, coloquial e conhecida do meio, oportunizando a interação do corpo funcional;

Engajar das pessoas nas políticas estratégicas da organização;

Capacitar os diversos escalas de lideranças, enquanto agentes de comunicação;

Ampla experiência em start up da área de comunicação interna em empresas: diagnóstico, planejamento estratégico, tático, definição de políticas, processos, canais e indicadores.

Plano de Ação para fins Organizacionais:

Realizar entrevistas que revelem os aspectos voltados a pessoa do funcionários, quanto a percepção sobre as funções que realiza, o contexto que está inserido e os interesses pessoais e profissionais;

O campo de ação do Voice design compete criar, planejar, elaborar, desenvolver, organizar e modelar a voz, como instância efetiva do processo comunicacional, num sistema de sonorização vocal capaz de atribuir diversas funcionalidades;

Estabelecer critérios para identificar os servidores alvo de entrevistas, considerando o perfil de cada integrante, o setor em que está lotado, as funções que desempenha e a disponibilidade em participar;

Determinar o tempo máximo de duração de cada entrevista, preservando a fluência e a coloquialidade das perguntas e respostas que gerem um produto final atrativo.

Fases:

Estabelecimento de critérios de abordagem de entrevistas;

Cronograma de entrevistas;

Realização de entrevistas;

Produção e edição dos conteúdos;

Definição das estratégias e dos meios de comunicação;

Veiculação e alternativas de disponibilidade das entrevistas para os seus públicos;

Acompanhamento e análise a partir dos resultados auferidos junto aos entrevistados;

Identificação dos grupos de interesse;

Organização de encontros por grupo de interesse;

Promoção de eventos gerais;

Análise dos dados e elaboração de relatório sintético.

Formato de Interação:

Grupos de Interesse:

Dinâmicas de grupo, atentando as característica de cada área de interesse, visando fomentar o debate entre os participantes, capaz de gerar identidade coletiva entre participantes;

Roda de Conversa:

Atividade voltada ao compartilhamento de experiências sobre um tema definido pelo mediador do evento;

Volta na Quadra:

Formação de grupos de dois a quatro participantes com a finalidade de tratar de assuntos definidos entre as partes;

Escuta fina:

Atividades prática envolvendo exercícios de aprimoramento da escuta, capaz de gerar uma fala assertiva, consistente e de elevado grau de comunicabilidade;

Roda de leitura:

Leitura realizada em grupo, onde os participantes aleatoriamente faz comentários, observações pertinentes e mesmo contextualizando sua realidade;

Por dentro de mim:

Trata de uma atividade voltada a comunicação intrapessoal, onde o participante busca a entender melhor do seu mundo interior, entre outros exercício, a realização de um inventário das suas palavras, reveladora das sua realidade, e identificar qual o modo de tratamento consigo mesmo.

Dinâmicas

Identificar e registrar os contextos e circunstancias de cada participante na sua comunicação intrapessoal, verificando os temas predominantes, o modo do tratamento e de relacionamento consigo mesmo

Identificar e registrar os contextos e circunstancias vivenciadas, a partir da primeira infância, sobre o que tenha sido dito em determinados momentos e que ativamente permanece repercutindo na existência do indivíduo;

Identificar e mensurar o grau de capacidade de ouvir através da formação de duplas em que um dos participantes conta uma breve história para outro e este narra ao seu modo o que entendeu, o que será validado pelo contador da historia;

Momento e estabelecer um diálogo entre os participantes, constituído de momentos de exposição de pensamentos breves seguidos de breves pausas, silêncios externo e principalmente interno com o propósito de possibilitar o exercício da exata compreensão do que foi dito e aumentar a capacidade de retenção do conhecimento.

Estabelecer relacionamentos convergentes para cumprir objetivos é a proposta desta dinâmica de comunicação oral.

Resultados almejados

Acentuar o sentimento de pertencer a uma organização de boa história e de imagem atual;

Valorização de cada colaborador da empresa;

Intercomunicação nos diversos setores/departamentos, para ampla expressão de todos os colaboradores;

Fortalecimento do compromisso com os resultados da corporação;

Minimizar os potenciais prejuízos causados pelo chamado “Rádio Corredor”;

Cria identificações para filtrar a validade dos produtos e/ou serviços que são destinados ao mercado;

Promove a transparência na gestão e estabelece a informação oficial.

Benefícios:

Valorização de cada colaborador da corporação, acentuando o sentimento de pertencer a uma organização de boa história e de imagem atual;

Intercomunicação nos diversos setores/departamentos, para potencializar a produtividade e ampliar uma visão holística de todos colaboradores;

Oportunizar a participação dos colaboradores, motivando o compromisso com os resultados da corporação;

Minimizar os potenciais prejuízos causados pelo chamado “rádio corredor”;

Promover a transparência e sustentabilidade na gestão e estabelecendo a M em todos os níveis da organização, a partir da formação de grupos de interesse;

Fortalecer a cultura organizacional, considerando a importância da comunicação interna informal.

SEGMENTO EDUCACIONAL DA ECONOMIA DA ORALIDADE

A aplicação da Economia da Oralidade na área educacional abrange as áreas presencial, semi-presencial e educação a distância.

A área da Economia da Oralidade que se ocupa da atividade de capacitação de educadores, nas mais diversas atividades profissionais desta área.

O surgimento do Voice Design se deu através da ABED  – Associação Brasileira de Educação a Distância, sociedade científica sem fins lucrativos, voltada ao desenvolvimento da educação aberta, flexível e a distância ao aprovar um trabalho científico intitulado “Voice design – o poder da palavra falada aplicada”, que submetido ao Comitê Científico para apresentação formal no 19º CIAED – Congresso Internacional ABED de Educação a Distância com tema “Bons Profissionais fazem Bons Programas de EaD realizado na semana de 09 a 12 de setembro de 2013 no Centro de Convenções da Bahia em Salvador.

SEGMENTO AUDIOVISUAL DA ECONOMIA DA ORALIDADE

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SEGMENTO INTERFACE DE VOZ DA ECONOMIA DA ORALIDADE

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PERICIA NA ECONOMIA DA ORALIDADE

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CIRCULAÇÃO E VELOCIDADE DA ECONOMIA DA ORALIDADE

A circulação de informação e de conhecimento é um fenômeno econômico gerador de riqueza e valor que se dá pelo movimento promovido pela interação entre os atores envolvidos em cada propósito e isso se materializa essencialmente pela oralidade.

Assim como quanto maior for a circulação de moeda maior será a saúde econômica, assim também se dá quanto a circulação da oralidade eficaz.

Quanto mais diálogos e conversar representativas de valor, maior será a saúde socioeconômica.

A Teoria Quantitativa da Moeda conceitua que o nível dos preços é determinado pela quantidade de moeda em circulação e pela sua velocidade de circulação. (Wikipédia)

Assim podemos parafrasear este conceito, dizendo: Que o nível dos valores da oralidade é determinado pela quantidade de palavras assertivas em circulação e pela velocidade de circulação.

Assim como quanto menos retermos a circulação de moedas, aguardando-as nos “cofrinhos”, ou mesmo apostarmos no mercado de capitais, ao invés de investirmos na produção de bens e serviços, tanto tangíveis como intangíveis, menor será o desenvolvimento econômico efetivo.

Assim também de retivermos a circulação pela oralidade informações, conhecimentos, criatividade, entre outras área especialmente da Nova Economia, maior será a emissão de mensagens sofistas, mentiras com aparência de verdade, notícias falsas, o que correspondem as moedas falsas, causadores de imensuráveis damos a economia, menor será também o avanço econômico.

INCENTIVO NA ECONOMIA DA ORALIDADE

Alertando que a teoria que corresponde à Economia da Oralidade está apenas nascendo, mas é possível antever que o tamanha que vai ocupar é de difícil mensuração.

Como ciência da economia é, a princípio, um conjunto de ferramentas e não uma matéria em si, nenhum tema, por mais alheio que lhe pareça, deve ser considerado fora do seu alcance, conforme afirma Steven D. Levitt em seu livro FREAKONOMICS.

Com base na afirmação de que economia é o estudo dos incentivos, ou seja, como os indivíduos conseguem o que desejam, ou aquilo de que necessitam, considerando também quando outras pessoas desejam o mesmo ou necessitam dela.

Um incentivo é uma objeto de desejo tangível ou intangível, uma chave que abre o baú de tesouro do pensamento, uma mola propulsora e impulsionadora da Nova Economia viabilizada pela Oralidade, especialmente pelo poder semântico da pela palavra-chave, capaz de transformar contextos e circunstâncias socioeconômicas.

As informações, o conhecimento, a criatividade, os aspectos comportamentais, colaboratividade e assim por diante, são mobilizados pelo exercício dialógico, da conversação, da troca de informações e conhecimentos, geradores eficazes e eficientes de incentivos necessário ao crescimento econômico.

Neste sentido a Oralidade cumpre integralmente este propósito de persuadir os ouvintes a fazer aquilo que o orador está afirmando.

Isto se dá invariavelmente através de um dos seus segmento mais nobres da oralidade, a oratória, entendida como a arte da persuasão.

Incentivos são meios para estimular as pessoas desejem realizar tarefas que beneficiem a si mesmas e à sociedade, minimizando fazer o que aquilo que não tem valor econômico.

A Economia da Oralidade trata, entre outras múltiplos aspectos e cenários, as relações humanas no âmbito socioeconômico em geral e particularmente o que chamamos de negócio gerado pelo propósito principal da troca de valor, entre as partes envolvidas.

Um dos principais objetivos da Economia da Oralidade através do Design da Oralidade é projetar a Marca Vocal Corporativa, como fator de influência para incentivar a decisão de compra de produto ou serviço oferecido os seus públicos.

Todo o incentivo é um inerentemente uma compensação; o segredo é equilibrar os extremos.

Ela deve identificar seus pontos de contato que sirva para melhorar os relacionamentos, construir significado e agregar a Marca Vocal Corporativa sintomatizada e harmonizada com as características linguísticas da corporação para lhe dar personalidade, visando garantir maior precisão, autenticidade e embatia com os seus públicos.

ASSIMETRIA DA INFORMAÇÃO NA ECONOMIA DA ORALIDADE

O consumidor procura um especialista por entender que ele tem informações necessárias sobre aquilo que precisa para resolver o seu problema.

É comum que um especialista numa relação profissional tenha mais informação qualificadas do que o demandante.

Na linguagem dos economistas isso é definido como assimetria das informações.

Considera-se que em especialista ou alguém saiba mais do que outro, geralmente o demandante, o consumidor.

Com o surgimento da internet a diferença entre o especialista detentor das informações e o demandante tem diminuído significativamente.

A internet de uma maneira revolucionária e extremamente eficiente de transferir informações de quem as possui para quem necessitas delas, reduzindo de consideravelmente a diferença entre o especialista e o leigo.

Com as mais variadas plataformas digitais o leigo pode imediatamente confrontas a assimetria das informações que é quando o especialista usa sua condições de possuir de informações para que o leigo necessitado dele.

Imaginemos um professor em sala de aula venha dispor suas informações, seus conhecimentos aos alunos, digamos, num quadro negro, como antigamente, embora ainda em muitos lugares este cenário ainda exista. De forma imediata e sincronicamente o aluno estará acessando todos os dados disponíveis pela internet, sem muito esforço.

Convenhamos, este cenário mudou quase toda a relação entre as partes e que para sobreviverem, terão que mudar de postura e adotar um novo modelo mental e comportamental.

Assim, como a informação é a moeda da internet, a palavra é a moeda da oralidade e a oralidade a moeda da Nova Economia.

Por isso, com a Economia da Oralidade há a necessidade de saber adequadamente, considerando a mudança dos cenários comunicativos diante das relações dialógicas, conversacionais.

Refletor a maneira de pensar, planejar e criar discurso apropriados aos novos tempos, considerando a estrutura que as pessoas em geral possui para recepcionarem mensagem, e a partir dos seus comportamentos diante dos contextos e circunstâncias na pós-modernidade.

CENTRALIDADE DA PESSOA NA ECONOMIA DA ORALIDADE

O marco fundamental da ciência econômica consolidada pela escola clássica é a obra “Uma Investigação sobre a Natureza e Causas da Riqueza das Nações (1776), do escocês Adam Smith (1723-1790), considerado o pai da Economia Política Clássica Liberal.

Ele afirma que não é a prata ou o ouro que determinam a prosperidade de uma nação, mas, sim, o trabalho humano. Em consequência, qualquer mudança que aprimore as forças produtivas estará potencializando o enriquecimento de uma nação, conclui.

Isso dito, nos séculos XVIII e XIX, o que poderíamos afirmar na pós-modernidade? Qual a dimensão destes pensamentos na Nova Economia que trata de Capitais e Ativos Intangíveis? Qual a relevância de termos consciência social do aprimoramento das forças produtivas no século XXI? Qual a importância da aquisição de concisão, objetividade e clareza na nossa comunicação oral, capaz de ganhar produtividade nas relações pessoais e profissionais? Qual o tamanho do desperdício, inclusive financeiro, pela falta de uma comunicação eficaz? Faça a conta e fica impactado com o estratosférico resultado.

A etimologia nos elucida a relação da Oralidade com o significado da palavra “pessoa”. No latim persona, per (por) + sona (som). A palavra pessoa significa “o som passa por meio de”, referindo-se a voz humana. Já na raiz grega a expressão é per son ‘Por meio do som’ o que literalmente deu origem a palavra no inglês.

Portanto, a pessoa é manifestada pelo som articulado que ela emite, expondo a sua individualidade, sua identidade, sua personalidade.

Pela contribuição da etimologia, podemos deduzir que a voz é a principal marca pessoal.

A voz é a função do corpo que mais se expõe e a que mais nos expõe; e saber utilizá-la com excelência é uma importantíssima habilidade e um relevante fator socioeconômico nas relações pessoais e profissionais.

Por meio da voz é que somos identificados e como nos identificamos com o mundo, disponibilizando ao mercado os nossos atributos pessoais e as nossas competências profissionais.

O que nos permite concluir que a marca pessoal é o nosso ativo econômico.

Ela é quem responde pela nossa atividade econômica.

Por esta razão criar nossa marca vocal em primeira instância, é essencial para a criação da nossa marca pessoal, o que é recomendável não somente para a nossa atividade econômica, mas para o crescimento e desenvolvimento econômico da sociedade como um todo.

E é pelo conjunto das marcas pessoais economicamente ativas que alcançamos a máxima produtividade na Nova Economia, por intermédio do valor agregado dos capitais e ativos intangíveis.

Planejar a fala para cada necessidade é essencial. Para cada demanda comunicativa é indispensável um plano de fala, pensar antes de falar, projetar nossas falas, considerando o que produzir, como produzir e para quem produzir.

Por esta razão criar nossa marca vocal em primeira instância, é essencial para a criação da nossa marca pessoal, o que é se não essencial, recomendável para não somente para a nossa sustentabilidade, mas para o crescimento e desenvolvimento econômico da sociedade como um todo.

E é pelo conjunto das marcas pessoais economicamente ativas que alcançamos a máxima produtividade na Nova Economia, por intermédio do valor agregado dos capitais e ativos intangíveis.

GERAÇÃO DE VALOR DA ECONOMIA DA ORALIDADE

A Oralidade tem grande influência na maneira como vivemos. É por meio dela que as pessoas se comunicam com o mundo externo. É através do planejamento da falaque estabelecemos os nossos pontos de contato com o mercado.

É essencial a prática de planejar, pensar antes de falar, ganhando performance na comunicação, evitando o conflito e o ruído e semeando informação, diálogo e relacionamento humano. Por isso, concebemos que a Economia da Oralidade promove a satisfação das necessidades humanas.

Troca de experiência na Nova Economia, em especial, na Economia Criativa, através da interação dialógica entre os atores envolvidos, da oportunidade de compartilhamento das competências e experiências individuais em prol do coletivo.

Propõe-se a elaboração de planejamento dedicado à produção da Oralidade, que compreende a preparação, ensaio e implementação, capaz de proporcionar ao praticante alcançar a sua melhor performance.

E indispensável criar-se consciência que leve a efetivas atitudes dos empreendedores e investidores criativos de se tornarem atores, caracterizados pela capacidade dramatúrgica, e “motores” dos seus empreendimentos criativos.

A Oralidade é um atributo humano que não será substituído por nenhuma tecnologia, mesmo com o avanço da inteligência artificial. Ela é um fator de identidade social, regional, grupal dos indivíduos, com plena repercussão no econômico.

A viabilização do uso da linguagem oral em cada meio social compreende identificar a cultura do grupo social alvo da comunicação para definir o alinhamento e o afinamento da Oralidade, constituída pelo objeto de linguagem e pela performance oral.

A Economia da Oralidade diagnostica que as transformações geradas pela era digital propiciaram uma nova era da Oralidade, resgatando a autêntica e insuperável forma de o homem se comunicar.

A capacidade de produzir mais, usando menos quantidade de fatores de produção, é um princípio econômico também para a Oralidade, o que, na prática, significa aumentar a produtividade nos processos produtivos da fala e na produtividade da economia como um todo, resolvendo um impasse estratosférico nas organizações, que é o prejuízo causado pela ausência de clareza nas comunicações constantes entre seus integrantes.

Regra de ouro da economia da Oralidade: “Não fale mais do que efetivamente você sabe” e outra: “poupe pelo menos 10% de tudo o que você pode dizer”.

Os seres humanos se comunicam de formas diversas, mas nenhuma delas é comparável à linguagem oral.

A palavra é um símbolo que expressa uma ideia, elas carregam o poder criativo ou destrutivo. A fonte da palavra é o pensamento.

A língua dispara e verbaliza o pensamento que está intrinsecamente vinculado com a mente que, por sua vez, está relacionado com os sentimentos e com as atitudes.

Assim, como a informação é a moeda da internet, a palavra é a moeda da oralidade e a oralidade a moeda da Nova Economia.

Considera-se que a oralidade é mais eficaz para expressar exatamente o que a gente sente, principalmente em relação ao sentimento, por conter a exata dimensão do que se quer comunicar.

No processamento cerebral, a oralidade produzida pela voz do emissor exige do receptor, do ouvinte uma decodificação só, transformando a palavra dita em entendimento cerebral, ao passo que na palavra escrita, no ato da leitura, há uma dupla decodificação, tendo que transformar fonológica e foneticamente aqueles hieróglifos, aqueles sinais gráficos do alfabeto em sinais sonoros.

Parte-se a dupla decodificação da área visual para a área auditiva cérebro, mesmo num som inaudível, para, depois, gerar compreensão cognitiva, especialmente no ato da leitura.

Além de entendermos que o ato de leitura se dá com a intervenção da oralidade, mesmo que sem o uso das cordas vocais, há também o hábito de se balbuciar os lábios para ajudar na compreensão do texto escrito, o que caracteriza com mais evidente ainda a presença da oralidade no processo, isto sem falar na leitura em voz alta.

Recebemos informações auditivas por intermédio dos ouvidos, mas também pela pele, pelos ossos e por todo corpo, a partir da medula central que recepciona as vibrações físicas do som, numa relação chamada áudio-tátil, sejam notas musicais, palavras cantadas e a palavra falada, mesmo que sutilmente, alteram a nossa respiração, nossa pulsação, a pressão sanguínea, a tensão muscular, a temperatura da pele e outros ritmos internos, e promove a liberação de endorfina.

Outro aspecto interessante é que a nossa audição normalmente se torna mais aguda quando não temos pistas visuais que são preenchidas pela imaginação, lacunas preenchidas pelo imaginário.

Recebemos informações auditivas por intermédio dos ouvidos, mas também pela pele, pelos ossos e por todo corpo, a partir da medula central que recepciona as vibrações físicas do som que tem natureza mecânica, num fenômeno chamado de áudio-tátil.

Elas podem ser notas musicais, palavras cantadas e a palavra falada, mesmo que sutilmente, alteram a nossa respiração, nossa pulsação, a pressão sanguínea, a tensão muscular, a temperatura da pele e outros ritmos internos, e promove a liberação de endorfina.

FUNÇÃO NUCLEAR DA ORALIDADE

Por ser uma atividade econômica nuclear, negligenciá-la é gerar desperdício da riqueza de valor agregado da humanidade.

Sem linguagem não há acesso à realidade. Sem linguagem não há pensamento.

O homem transmite ideias, sentimentos essencialmente através da fala, utilizando-se da linguagem oral que é um bem natural, mas não é um processo inato, é um bem social que se viabiliza através das interações sociais, diferentemente do letramento, que é um bem cultural, uma tecnologia.

Toda comunicação se faz na interação, é impossível pensar em palavras, linguagem, sem ser na interação com o outro. As palavras possuem seus significados, não sendo o mesmo para todas as pessoas, o sentido se dá a partir da interação do sujeito como seu interlocutor nos diferentes discursos. (BAKHTIN, apud AUGUSTO, 2011).

A aquisição da língua não é um processo apenas natural, para aprender a falar é preciso compreender a linguagem. (VIGOTSKI, 1984, p. 53).

Os estudos da linguística tratam contemporaneamente da teoria da continuidade que afirma existir níveis de gradação entre as duas modalidades, a Oralidade e o Letramento e não apenas modos dicotômicos, como se concebia anteriormente.

ATO DE LEITURA NA ECONOMIA DA ORALIDADE

Pondera-se que estas áreas econômicas integrantes da Nova Economia adquirem sentido, alcançam objetivos e cumprem propósitos, cada uma de acordo com suas vocações, entre outros fatores geradores de riqueza e valor agregado, a capacitada socioeconômica motriz da Economia da Oralidade.

Apesar do fenômeno ser pouco perceptível, a informação, o conhecimento, a criatividade, comportamento, cada qual enquadrada na sua área econômica específica e nas suas relações convergentes e congruentes, são basicamente tratadas por meio dos fluxos dialógicos, intercâmbios conversacionais, pela boa conversa.

Para contextualizar e clarificar a argumentação. Um conjunto de informações sejam registradas numa publicação, sejam armazenadas num meio digital, somente adquirirem utilidade ao serem ativadas através do ato da leitura, da decodificação das informações para serem trabalhadas, deixando o estado de inércia que é quando os dados estão apenas armazenados, sem devido uso.

A Economia da Oralidade de interpõe como uma área socioeconômica motriz essencialmente pelo argumento que o ato de leitura implica na intervenção do campo da oralidade.

O ato de leitura implica num processo cognitivo de uma dupla decodificação cerebral.

Segundo estudos científicos de alta complexidade, entre as quais destacamos abordagens na área da neurociência que descreve o processo cognitivo do ato da leitura, bem como da sua aprendizagem.

Parte-se inicialmente da ativação da área visual do cérebro para a sua área auditiva, gerando com isso a cognição com e as suas consequentes sinapses através da relação do texto e seu autor com o leitor.

Estas áreas visual e auditiva estão associadas aos processos de decodificação da palavra durante o ato de leitura em seus menores segmentos, que são as letras, as quais são correlacionadas com os respectivos sons.

Após a visualização da palavra “BOLA” pelas regiões occipitais, por exemplo, os quatro símbolos alfabéticos são “analisados” na região temporo-parietal a qual efetua a correlação dos sons “be + o + ele + a, com as suas letras correspondentes.

Na área responsável pelo processo de decodificação fonológica e que provavelmente está associação à formação da estrutura sonora, através do movimentação dos lábios, língua e aparelho vocal. (Price, 2000; Price et al., 1996; Shaywitz et al., 2002).

Portanto, considera-se essencial valorar a intervenção da Oralidade em todos estes segmentos da Nova Economia, acentuando a fundamentalidade de uma perspectiva mais concreta e precisa sobre uma área econômica que trata da competência de expressão do pensamento projetado da forma de voz, mais próxima possível da necessidade socioeconômica.

COMO SURGIU A IDEALIZAÇÃO DA ECONOMIA DA ORALIDADE

Para contextualizar o surgimento da Economia da Oralidade, me posiciono como um personagem real que conta sua vivência, suas experiências com a voz humana, contextualizando os seus aspectos socioeconômicos.

Convido você leitor a realizar também do sua linha do tempo, a sua jornada ao longo da sua história, para rememorar sua trajetória existência, elencando os seus principais personagens que ajudaram a construir sua personalidade, com todos os percalços e virtudes, os seus cúmplices de caminhada.

Nasci no ano bissexto de 1956, no dia 10 de abril na Rua Prudente de Moraes 405, esquina com a Rua Padre Agostinho, às 19 horas e 15 minutos, em Curitiba, durante a transmissão da “A voz do Brasil”.

Foi o início do mandato presidencialista de Juscelino Kubitschek (21º presidente), considerado um dos maiores mandatários do país.

Elvis Presley estava lançando no single Heartbreak hotel, seu primeiro sucesso.

Mel Gibson havia nascido um pouco antes de mim, em 03 de fevereiro de 1956.

O Pelé havia iniciado sua carreira no Santos Futebol Clube aos 16 anos.

John Austin havia formulado a teoria do ato de fala.

Vivíamos a “Era de Ouro” do rádio.

Naquele tempo era o rádio e por vezes a radiola que ocupavam lugares de destaques nas salas das casas brasileiras, e aos pouco os aparelhos de tv também ganhavam seu espaço, sem que o rádio deixasse de manter sua relevância e a sua capacidade de influir no comportamento da sociedade, ditando os modos e as modas da época.

As grandes vozes tomavam conta da paisagem, predominantemente sonora, sejam os cantores, humoristas, declamadores de poesia, os narradores esportivos, os apresentadores de programas de rádio, incluindo programas de auditório.

Passávamos horas ouvindo rádio e isso certamente causou um impacto definitivo na minha vida e da sociedade da época.

Transmitindo ideologias, estimulando a capacidade de consumo através dos chamados reclames, da publicidade sonora associada visualmente as publicações impressas.

As pessoas consumiam as programações radiofônicas alternando sua audiência através dos discos de vinil em 33, 45 ou 78 rotações.

Toda esta sonoridade causava um significativo impacto nos ouvintes, ativando seu imaginário, sejam pelas ondas hertzianas emitidas pelo rádio, ou pelos discos em acetato, tocados pelas proeminentes radiolas, empreendendo `viagens sônicas` aos mais diversos e variados lugares do nosso imaginário.

As ondas sonoras me arrebataram para um mundo de imagens construídas pela vibração física de natureza sonora.

A televisão estava bem no começo, dando seus primeiros passos, modelada e forjada pela estrutura radiofônica.

O rádio em algumas regiões brasileiras como as capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife, profissionalizou-se qualitativamente e quantitativamente, alcançando resultado econômico expressivos.

A publicidade sustentava o veículo com um casting de profissionais, com rádio atores, cantores, artistas, locutores, repórteres, produtores.

No ano que nasci, já haviam pouco mais de 140 mil aparelhos de tv no Brasil.

Chacrinha fazia sua estreia na TV Tupi com o programa “Rancho Alegre”

O teatro contando com grandes nomes que se consagraram, como Tônia Carreira… e o cinema ditava a moda e o comportamento de consumo das pessoas em geral.

Neste cenário, nestes contextos e circunstância surgiu minha a paixão pela voz humana.

Ela se manifestou na minha primeira infância, principalmente estimulada pela programações radiofônicas nos anos 60.

Fui privilegiado ouvir as histórias contadas pela minha avó paterna, Zaquie Cury, especialmente pela coleção nominada “Tesouros da Juventude”.

Como me deliciava ouvir os contos como “Os Três Porquinhos”, “Chapeuzinho Vermelho”. “João e Maria”, entre tantas outras histórias inesquecíveis.

Durante minha primeira infância apreciava muito ouvir as conversas dos adultos, apesar de me relacionar bem com as crianças da minha faixa etária.

Era muito frequente ficar ouvindo minha mãe, Neusa e da minha vó, Zaquie com suas amigas.

Elas passavam longas tarde conversando sobre assuntos diversos, normalmente tomado um café árabe que era feito sem coar, comendo bolos feitos por vovó, recheados com creme e cobertos com coco ralado, servia bolachas de mantegal, além de outros quitutes, aliás muito gostosos como podemos imaginar.

E eu sempre participava com as minhas histórias que apesar de criança, já tinha meu modesto repertório.

Prestava muita atenção não necessariamente sobre o que elas falavam, por se tratar de assuntos de mulheres adultas, mas como elas contavam as suas histórias, experienciais, vivências.

Invariavelmente se emocionando, indo as lágrimas, em outros momentos dando sonoras gargalhadas, ainda dramatizando os acontecimentos, contados aos moldes das grandes radionovelas da época.

Me lembro de minha mãe dizer que eu já era falante antes mesmo de andar. Eu mesmo não me lembro disso.

Recordo-me quanto tinha meus quatros de idade, numa daquelas reuniões da minha avó com suas amigas, uma delas, Dona Zahi, de origem árabes, fez um comentário que “Este menino sabe conversar bem. Ele é muito inteligente”.

Apesar da singeleza da afirmação da Dona Zahi, esta observação marcou e reforçou esta característica da minha personalidade e me estimulou a desenvolve-la cada vez mais, além de me levar a perceber a paixão pela voz humana.

A partir deste momento, passei a investir na minha oralidade.

E você leitor? Sugiro que dê uma breve pausa pra trazer a lembrança algo que marcou sua primeira infância. Com certeza sempre há momento significativos nestes primeiros anos de vida. Você pode ter recebi um elogio sobre alguma característica da sua personalidade, com repercussão da sua vida pessoal e profissional. Talvez você não tenha se dado conta, de ter despertado um interesse por algo naqueles anos e que pode readquirir significado hoje?

Este exercício será importante para a proposta deste livro.

Além das conversas femininas, também apreciava estar nas rodas masculinas, dos mais velhos.

Costumeiramente fica na sala de visitas de meu avô paterna, Jorge Cury, o qual herdei o nome, ouvindo as conversas entre ele e meu pai, Getúlio, meus tios, irmãos de minha avó, acompanhado e seus amigos.

Eles falavam sobre diversos assuntos, principalmente sobre política e economia no país e fora do Brasil, conflitos no Oriente Médio, assuntos de medicina e tantos outros.

Só que este cenário raramente eu contava as minhas histórias. Já era uma concessão ficar ouvindo.

Naquela época, anos 60, não era permitido crianças participarem das conversas dos mais velhos.

Nas conversas entre os homens o que me chamava atenção, era a eloquência de muitos deles, como defendiam com convicção os seus pensamentos.

Era comum as vozes de alterarem na tentativa de persuadir o grupo sobre seu posicionamento em determinada área do conhecimento.

Além disso, prestava atenção sobre o timbre das vozes, e como determinados tons vocais tinha predominância sobre outros, associado à mensagem lógica, inteligente e consistente.

Observava que timbres fortes com predominância para o grave, tinham presença marcante.

Esta foi uma característica adotada pelo rádio. Vozes graves para imprimir mais autoridade, pois, a “comunicação presencial e interpessoal, matriz do processo de relações sociais, à medida que recebe o concurso da técnica, chegando ao que se denomina como a fase da comunicação coletiva, efetiva um novo modo de se compreender a comunicação na sociedade e especialmente neste século.” (SOUSA, 2006)

Já, segundo Mauro Sousa, 2006, a “comunicação presencial e interpessoal, matriz do processo de relações sociais, à medida que recebe o concurso da técnica, chegando ao que se denomina como a fase da comunicação coletiva, efetiva um novo modo de se compreender a comunicação na sociedade e especialmente neste século.”

E você leitor deve ter muitas recordações, também, peço que reflita com serenidade, sem pressa, dando mais uma pausa neste leitura para trazer a memória sua trajetória de vida, ainda da primeira infância, nos cenários que você viveu.

Proponho que me acompanhe nesta jornada existencial.

No convívio familiar era frequente ouvir a declamação de belas poesias pelos meus tios, irmãos da vovó e pelos meus pais, o que certamente me motivaram a me interessar pelas inflexões, entonações das vozes com apurada técnica, própria daquela época, daquela cultura.

Minha mãe, Neusa Gil Cury, era poeta e meu pai, Getúlio Cury declamador de poesias. Ele apresentava na década de 50, pela Rádio Tingui – Curitiba, um programa de declamação de poesias nominado, “Acordes do Coração”. Aliás o nome do programa foi dado pela minha mãe.

A declaração de poesia é uma das atividades culturais mais eficazes para capacitamos a desenvolver nossa oralidade. Ela habilita transmitir com musicalidade, com melodia as nossas interações, determinando nossa capacidade de expressar a exata intencionalidade do que queremos comunicar.

Me lembro da inauguração da televisão em Curitiba em 1960.

Muitos poucos aparelhos disponíveis. Era um luxo ter uma televisão na sala de casa e este era o privilégio de um tio, Rafi Salum, irmão de minha avó paterna. Assim frequentemente íamos assistir tv na casa dele. Era um deslumbramento. Isso se deu no nome de televizinho. A programação de televisão iniciava lá pelas seis da tarde e encarrava a meia noite.

Por isso escolhi ser radialista e jornalista e em grande monta influenciada pela carreira profissional de meu pai, Getúlio Cury, mas, sobretudo pela paixão pela comunicação manifestada pela voz.

Outra característica pessoal pouco comum das crianças daquela época, era o hábito de manter longas conversar com os adultos, incluindo os vizinhos, especialmente da terceira idade, como era o caso com compositor, músico e historiador Mário Rosa, conhecido como “seo” Rosa. Ficávamos conversando por muitas horas, lembro-me que por vezes só percebia quanto o tempo passo ao crepúsculo do dia, ele debruçado na janela de sua casa que dava direto pra calçada e eu na calçada. Isso lá pelos meus 7 anos de idade e ele com os seus 70 e poucos anos.

Não era o único amigo esta faixa etária. Tinham outros tantos, como o Wilson, Sidney, Zacarias, além dos amigos de meu pai, Getúlio e de meu avô Jorge.

O assunto geralmente era sobre futebol, mas também contavam muitas outras histórias.

Lembro-me com muito carinho das minhas primeiras professoras. O professora que era diretora do Grupo Escolar Professor Cleto da Silva em Curitiba, Ruth Shell. Ela tinha uma postura para nós, crianças de 7, 8 anos de idade que empunha respeito, autoridade. Quanto nos abordava, a gente ficava muito intimidado. Além dela, a professora Miriam Zarur. Está apesar da postura severa, tinha um tratamento especial para comigo, era o que chamávamos a época “peixinho” da professora. Até hoje me vem aqueles vozes femininas na minha memória.

E você? Vamos lá, trazer a memória, como eram seus relacionamentos com os adultos, você conversava com eles? Se sim, lembra quais eram seus assuntos prediletos, se raramente, o que você ouvia e que lhe causava interesse? Você lembra dos seus professores, geralmente do gênero feminino?

Por isso escolhi ser radialista e jornalista e em grande monta influenciada pela carreira profissional de meu pai, Getúlio Cury, mas, sobretudo pela paixão pela comunicação manifestada pela voz.

Com a decisão tomada de ser um comunicador, tive a oportunidade de iniciar a carreira em 1972 na Rádio Marumby de Curitiba, na função de rádio escuta.

O rádio escuta é uma atividade dentro do rádio esportivo que acompanhar os resultados parciais e finais dos jogos para o plantão esportivo informar aos ouvintes durante a jornada esportiva principal.

Com isto, ainda que sem a intencionalidade de hoje, estava dando início no ano de 1972 a pesquisa ao ouvir as mais variadas vozes da época, os grandes profissionais do rádio esportivo brasileiro.

Me dedicava por muitas horas do dia a ouvir, especialmente, os narradores esportivos da época, além dos comentaristas e repórteres, procurando apreciar os estilos de cada um que transmitiam os jogos com muita precisão, emoção e qualidade artística admiráveis. Me ocupava de identificar além dos estilos, das escola de que cada um pertencia, a partir de mestres que eram consagradamente reconhecidos.

Passa horas ouvindo analiticamente as expressões que cada um usava e como inflexionavam determinadas palavras que se constituíam suas marcas vocais, seus bordões que facilmente identificavam aqueles profissionais.

Iniciei a carreira de repórter na Rádio Cultura em 1973, oportunidade que dei início a pesquisa de campo sobre comunicação no rádio e na televisão esportiva.

Um das minhas atividades era realizar entrevista com jogadores, treinadores, dirigentes e até torcedores após os jogos para repercutir no programa “Viva o Futebol”.

Durante os jogos visitava seguidamente as cabines de rádio nos estádios para pesquisar e estudar as performances, principalmente dos narradores esportivos, mas também dos comentaristas, repórteres e plantões.

Em setembro de 73 iniciei na função de repórter na Rádio Cultura do Paraná (Programa Viva o Futebol de Dirceu Graeser) e no ano seguinte na TV Paranaense – Canal 12 (Programa Domingo Alegre de Mário Vendramel), além iniciar como narrador esportivo na Rádio Marumby.

Dando um salto na minha histórica, apesar da permanente atuação no rádio e na televisão, destacando programas de sucesso, como a Gazeta do Rádio pela Colombo do Paraná, a premiação como “Repórter do Ano” pela promoção anual do jornal Diário Popular, criação da área de Rádio no Tribunal de Contas do Paraná e a fundação a primeira agência de notícias voltada ao rádio no Paraná e a segundo no Brasil, a Central de Radiojornalismo.

A pesquisa permanentemente realizada no meio rádio e em especial no rádio esportivo gerou um série de fenômenos relevantes para subsidiar esta área do econômica, a Economia da Oralidade.

Entre os quais o uso de expressões chave, os bordões, jargões, figuras de linguagem, entre as quais as metáforas.

Além do rádio e do rádio esportivo também buscamos extrair material das letras de músicas, da poesia, prosa, de outro lado, também do humor com os seus personagens.

Nasci sob os acordes das ondas hertzianas, vi a televisão nascer. Testemunhei boa parte da era de ouro do rádio, o início da televisão, o avanço dela e os novos desafios da radiofonia.

A voz no seu célere percurso ao longo da história, perpassando a diversos mídia. Do telefone a internet.

Confesso que hoje exerço a profissão com muito entusiasmo e por isso tenho sistematicamente me dedicado ao estudo, a pesquisa da palavra falada, o seu poder comunicacional, seus significados, suas manifestações, seus elementos, suas características, como se dá seu funcionamento e suas aplicações midiáticas.

Após diversos oportunidades palestrando sobre temas de interesse das áreas de radiodifusão, radiojornalismo e mais recentemente sobre novas mídias, principalmente pelo intenso interesse em estudarmos e pesquisarmos permanentemente sobre os mais variados aspectos do poder comunicacional da palavra falada, decidimos em 2010 dar início a carreira de palestrante e consultor sobre o tema intitulado: Voice Design, O Poder da Palavra Falada Aplicada.

Estes estudos e pesquisas no campo da semiótica, da sintaxe, da semântica, da oralidade, da linguística, da fonologia, da fonética, da neurolinguística, da neurociência, da psiquiatria, da hipnose, da musicalidade, da sonoridade, da filosofia, da fisiologia, das mídias convencionais e digitais entre outras área da ciência, resultaram na constatação da necessidade de prestarmos consultoria.

A consultoria sobre o poder da palavra falada aplicada e a aquisição da habilidade de ouvir, atua numa nova área da comunicação sob a designação de voice design que compreende a implantação de processos, serviços e atividades planejadas para atender a necessidade do público interno e externo da sua organização, considerando a fundamentalidade da comunicação interpessoal, relacional e intrapessoal no âmbito social, profissional e organizacional.

O crescimento e desenvolvimento do voice design, desde o início das pesquisas e estudos em agosto de 2008, se deu pelos resultados alcançados com realização de palestras, workshops, cursos e treinamentos, a exemplo da participação no Educar/Educador 2013, entre os dias 22 a 25 de maio em São Paulo.

Na ocasião foi proferida palestra sobre o tema, além da realização de dez rodas de conversas com professores de diversas partes do país no estande de duas instituições educacionais – o SEFE e Sem Fronteiras.

Com a aprovação de um trabalho científico pela comissão de análise e avaliação da ABED – Associação Brasileira de Educação a Distância, sob o título, “Voice design, o poder da palavra falada aplicada” esta área do conhecimento foi apresentada a comunidade científica e acadêmica durante o 19º Congresso Internacional de Educação a Distância, entre os dias 9 e 12 de setembro de 2013 em Salvador, o que segundo Cury, deu legitimidade a criação do Voice Design Institute, onde ocupa da presidência da entidade.

No 20o CIAED realizado em Curitiba em outubro de 2014 lançamos Voice Design para Design Instrucional.

VISÃO TRANSCENDENTE DA ECONOMIA DA ORALIDADE

No princípio era o Verbo, a Palavra, o Logos, expressão grega que significa palavra e que através de filósofos como Heráclito de Éfeso (por volta do séc. VI a.C.), veio a ter o conceito de razão, daí logia, lógica, tanto como a capacidade de racionalização individual ou como um princípio cósmico da Ordem e da Beleza.

O Verbo compreendido como o som inaudível, matriz central da expressão plena do pensamento do autor da existência, a partir daquele que precede a tudo, o originador de todas as coisas.

Na teologia cristã o conceito filosófico do Logos viria a ser adaptado no Evangelho de João, o evangelista se refere a Jesus Cristo como o Logos, isto é, a Palavra: “No princípio era o Logos, e a Logos estava com o Deus, e a Logos era Deus” (Há traduções do Evangelho em que Logos é o “Verbo”).

No princípio, ele estava com Deus. Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito.

No início do livro de Gênesis está escrito: Os céus e a terra eram sem forma, vazia e escura. O espírito de Deus pairava (vibrava) sobre eles – e só então que Deus disse (falou): “Haja luz “ e houve luz.

Ainda neste mesmo livro, Deus dá autoridade para homem dominar sobre toda a criação através do poder do verbo, da palavra falada, e determinando ao homem a tarefa de nomear (afirmar a existência de algo), aos animais, as aves dos céus e todas as feras selvagens, fazendo com que o homem exercesse a condição de co-criador.

Ainda nas escrituras sagradas Deus afirma o caráter eterno da palavra, quando Deus diz: “Os céus e a terra passarão, mas as minhas palavras são eternas”.

Outras citações que atestam o poder transcendente da Oralidade.

Prov. 18.21 – A morte e a vida estão no poder da língua; e aquele que a ama comerá do seu fruto.

Existem algumas coisas que depois de atiradas não existe mais volta. Duas delas são a “ flecha lançada” e a “palavra falada”.

Porém existe uma diferença básica entre a flecha e a palavra. A flecha quando atirada, pode ou não acertar o seu objetivo, o alvo, que pode ser de madeira, pode ser uma animal, um ser humano, uma árvore, ou seja, qualquer coisa.

Entretanto, a palavra quando é lançada sempre acerta o alvo, o coração de alguém. Quando alguém lança uma palavra ele não errará, acertará, com certeza, o seu objetivo , ou seja, alguém será atingido.

E, como a palavra tem poder, o seu lançamento pode provocar vida ou morte.

Ela provocará vida quando representar elogio, força, afeto, carinho, compreensão, conselho, ou seja, quando estiver implícito, neste lançamento, amor.

Ela provocará morte quando representar crítica, desânimo, amargura, ciúme, incompreensão, isto é, quando estiver implícito, neste lançamento, intolerância.

A grande verdade é que as pessoas esquecem, por completo, que podemos coisas maravilhosas e terríveis com aquilo que dizemos.

Quantas pessoas ouvem, durante uma vida, que não são capazes, que são burras, que são preguiçosas, que não vão chegar a lugar nenhum, que são incompetentes, e por aí vai.

Ouvem tanto este tipo de coisa que, a partir de um determinado momento, acabam acreditando.

Quantos relacionamento vão sendo minados, nem tanto pelas brigas em si, mas pelas coisas pesadas que são ditas durante o desentendimento. As vezes os motivos das desavenças nem são muito graves, porém o que foi dito um para outro deixa marcas fortes.

O que estamos tentando dizer é que podemos edificar através daquilo que dizemos aos outros, como também podemos destruir.

E vocês já reparam como existem pessoas que vivem para destruir os outros através da língua. Vivem criticando, colocando defeitos, murmurando, procurando confusão, não são compreensivas, dizem palavras de humilhação.

Entretanto, o que estas pessoas não percebem é que os maiores prejudicados com este tipo de atitude, são elas próprias, isto é, se você usa as suas palavras para construir, abençoar, consolar, dizer coisas que edifiquem, você estará plantando para colher bênçãos para a sua vida, porém se você usa a sua língua para destruir, a sua colheita será de frutos podres.

Todo o dia quando saímos, para trabalhar, estudar, ou qualquer outra atividade, podemos fazer esta escolha. Sair com a língua afiada dizendo somente coisas ruins, ou sair de forma prudente, vigiando o que dizemos, procurando iluminar o lugar onde estamos. A escolha é nossa, mas não podemos esquecer que colheremos o que plantarmos.

Vamos refletir outros versículos abordando o poder da Oralidade:

O ser humano é capaz de dominar todas as criaturas e tem dominado os animais selvagens, os pássaros, os animais que se arrastam pelo chão e os peixes. Mas ninguém ainda foi capaz de dominar a língua. (Tiago 3:7-8)

Quem não comete nenhum erro no que diz é uma pessoa madura, capaz de controlar todo o seu corpo. (Tiago 3:2)

Da mesma boca saem palavras tanto de agradecimento como de maldição. (Tiago 3:10)

É isto o que acontece com a língua: mesmo pequena, ela se gaba de grandes coisas. Vejam como uma grande floresta pode ser incendiada por uma pequena chama! (Tiago 3:5)

Usamos a língua tanto para agradecer ao Senhor, como para amaldiçoar as pessoas, que foram criadas parecidas com Deus. (Tiago 3:9)

Por acaso pode a mesma fonte jorrar água doce e água amarga? (Tiago 3:11)

Pensem no navio: grande como é, empurrado por ventos fortes, ele é guiado por um pequeno leme e vai aonde o piloto quer. (Tiago 3:4)

Ouvido prova as palavras como a língua prova o alimento. (Jó 34:3)

Pensem no navio: grande como é, empurrado por ventos fortes, ele é guiado por um pequeno leme e vai aonde o piloto quer. (Tiago 3:4)

A boca fala do que está cheio o coração (Mateus 12:34)

Há tempo de ficar calado e tempo de falar. (Eclesiastes 3:7)

A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira. (Provérbios 15:1)

Há palavras que ferem como espada, mas a língua dos sábios traz a cura. (Provérbios 12:18)

Cada um esteja pronto para ouvir, mas demore para falar e para ficar com raiva (Tiago 1:19)

Dedique à disciplina o seu coração, e os seus ouvidos às palavras que dão conhecimento. (Provérbios 23:12)

A palavra certa na hora certa é como um desenho de ouro feito em cima de prata (Provérbios 25:11)

As palavras dos bons são como a prata pura; as idéias dos maus não têm valor. (Provérbios 10:20)

Quem toma cuidado com o que diz está protegendo a sua própria vida, mas quem fala demais destrói a si mesmo. (Provérbios 13:3)

Qualquer coisa que você ensina a uma pessoa sábia (boa ouvinte) torna-a mais sábia ainda. E tudo o que você diz a uma pessoa direita aumenta a sabedoria dela. (Provérbios 9:9)

Quando alguém está querendo aprender, o conselho de uma pessoa experiente vale mais do que joias de ouro puro (Provérbios 25:12)

As palavras dos sábios devem ser ouvidas com mais atenção do que os gritos de quem domina sobre tolos. (Eclesiastes 9:17)

As palavras agradáveis são como um favo de mel, são doces para a alma e trazem cura para os ossos. (Provérbios 16:24)

O coração ansioso deprime o homem, mas uma palavra bondosa o anima. (Provérbios 12:25)Vigiai e orai (Mt. 26.42)Não digam palavras que fazem mal aos outros, mas usem apenas palavras boas, que ajudam os outros a crescer na fé e a conseguir o que necessitam, para que as coisas que vocês dizem façam bem aos que ouvem (Efésios 4:29)

Não usem palavras indecentes, nem digam coisas tolas ou sujas, pois isso não convém a vocês. Pelo contrário, digam palavras de gratidão a Deus. (Efésios 5:4)

Outras pensamentos:

A palavra é o meu domínio sobre o mundo. (Clarice Lispector)

A palavra foi dada ao homem para explicar os seus pensamentos, e assim como os pensamentos são os retratos das coisas, da mesma forma as nossas palavras são retratos dos nossos pensamentos. (Jean Molière)

O fruto de cada palavra retorna a quem a pronunciou. (Abu Shakur)

A palavra é metade de quem a pronuncia e metade de quem a ouve. (Michel de Montaigne)

Se não a nada mais a ser dito, então apenas sorria. (Davi Khouri)

Se você falar com um homem numa linguagem que ele compreende, isso entra na cabeça dele. Se você falar com ele em sua própria linguagem, você atinge seu coração” (Nelson Mandela)

Comunicação não é o que você fala, mas o que o outro compreende do que foi dito” (Claudia Belucci)

Se nossa vida não está adequada, talvez devêssemos fazer um inventário do que falamos

Nenhuma palavra tem tanto autoridade como a que nós pronunciamos

Se o que pensamos sai da boca, não conseguiremos domá-la se não fizermos alguma coisa sobre nossos pensamentos.

As palavras são espírito e vida.

É preferível ser positiva e ter 50% de bons resultados do que ser negativa e ter 100% de resultados ruins.

Profetizar nosso futuro é declarar no início o que acontecerá no fim.

Semeamos palavras e colhemos de acordo com o que semeamos.

Murmurar e reclamar carregam um poder destrutivo.

Palavras podem afetar o corpo físico. Podem trazer cura e abrir a porte para doença.

Falar no tempo devido nos impedirá de enfraquecer.

Devemos aprender a disciplinar a boca e responsabilizar-nos pelo que sai dela.

Quando reclamamos sobre nossa situação, permanecemos nela.

Temos pontos fortes e fracos, devemos realçar os positivos e diminuir os negativos.

O que entra pelo ouvido é o que vai sair pela boca – para o bem e para o mal.

A língua direciona nossa vida, as palavras delimitam margens nas quais devemos viver

Respirar fundo, fechar a boca por um minuto, controlar-me e seguir em frente.

As palavras dizem sim, mas o tom de voz e a expressão facial transmite uma mensagem bem diferente.

Falar para todo mundo como estamos nos sentindo e sobre as nossas circunstâncias, logo não vai haver ninguém com quem conversar.

Estamos presos pelas palavras que declaramos e também nossos julgados por elas.

Para podermos mudar nossas atitudes e comportamento, em primeiro lugar devemos mudar nossos pensamentos e palavras

CONSCIÊNCIA DA DIMENSÃO DA ORALIDADE

Mas será que nós temos consciência da dimensão da oralidade e como ela está permanentemente presente no nosso dia a dia e como ela determina nossa realidade?

A oralidade é a origem da comunicação e a responsável pela formação da linguagem.

Não é apenas uma das formas de comunicação, ela é a essência da existência humana.

Ela está presente em nossas vidas antes mesmo de nascermos.

No livro ‘O Efeito Mozart’ de autoria de Dom Campbell relata as experiências do Dr. Alfred Tomatis, M.D., médico francês, dedicado a pesquisas da audição humana que ele descobriu que a voz da mãe serve como cordão umbilical sônico para o bebê em desenvolvimento e também como fonte primal de estímulo.

Ele afirma que o feto é capaz de escutar. O ouvido é o primeiro “órgão” a se desenvolver no embrião, ou seja, o que a futuro mamãe ouve, sejam as suas músicas preferidas, as conversas ou mais outros sons são ouvidas também pelo futuro bebê que está funcional a partir de quatro meses e meio de gestação, interferem nas características dele que começa a manifestar já nos primeiros meses de vida.

Tomatis afirma que “a nutrição vocal que a mãe provê é tão importante como o seu leite para o desenvolvimento da criança”.’

O primeiro choro é que marca o início da nossa vida.

Antes de darmos os primeiros passos já pronunciamos as primeiras palavras

A criança passa a aprende desde bebê que a voz é o instrumento básico para o relacionamento com o mundo.

A voz, de muitas maneiras, é a função do corpo que mais se expõe e o que mais nos expõe. Nossa individualidade, nossas particularidades, nossa alma.

Os batimentos cardíacos estão particularmente sintonizados com sons que determinam a musicalidade de todo o corpo, enquanto a base da voz é a respiração.

Aspiramos o ar, o levamos de nossos pulmões até as profundezas das células e o devolvemos ao mundo.

Do grego a palavra respiração tem sua origem na palavra espírito, que quer dizer fôlego.

A palavra hebraica ruach significa não só espírito do gênese flutuante sobre a terra, o espírito de Deus pairava – vibrava sobre os elementos, mas também o hálito de Deus.

Se aprender a falar é o primeiro passo, a aprender a ouvir é o segundo passo e com certeza uma das questões centrais no desenvolvimento humano.

Ao ouvir aprendemos mais a pensar do que falar.

O começo do bem viver é bem ouvir.

Alfred Tomaris afirma: “Quanto mais estudo audição, mais convencido fico de aqueles que sabem ouvir constituem as exceções”.

Usamos palavras o tempo todo e nem sempre pensamos no que dizemos e como falamos.

Ela tanto pode aproximar como afastar; tanto pode oprimir como libertar; tanto pode promover a vida como matar.

Determina palavra dita em determinado contexto, pode matar a pessoa a quem está sendo dirigida (ouvinte), os sonhos dela, suas aspirações, seu futuro, sua vida.

Tudo o que dizemos repercute positiva ou negativamente.

Somos responsáveis pelas afirmações ou negações que proferimos.

A palavra falada por nós tem grande influência na maneira como vivemos, pois é através dela que as pessoas na maior parte do tempo se comunicam com o mundo externo.

As palavras carregam o poder criativo ou destrutivo.

A fonte da palavra é o pensamento.

A língua dispara e verbaliza o pensamento.

A palavra é um símbolo que expressa uma idéia, e está intrinsecamente relacionada com nossa mente. A mente, por sua vez, está relacionada diretamente com nosso corpo, com nossos sentimentos, com nossas atitudes e com nossas ações.

A palavra também está diretamente relacionada à capacidade de realização pessoal.

Aquilo que acreditamos em nossas vidas é formulada por frases que adotamos como verdade. Tais frases, também conhecidas por crenças, moldam a realidade à nossa volta.

Uma das maneiras de aumentar o poder de realização pessoal é alinhar a sua palavra com suas atitudes e ações.

Uma forma de (re)fortalecer o poder de sua palavra é começar primeiro a perceber o que você diz à si mesmo e às pessoas à sua volta (ouvintes). Outra dica para alinhar aquilo que você fala com o que você faz é começar com pequenas coisas.

Por exemplo, ao marcar compromissos, por mais triviais que possam parecer, cumpra-os.

Se você for solicitado a ir ou fazer algo que não tem tanta certeza que quer ou pode cumprir, peça um tempo para refletir e responder com mais calma.

Com a prática, o hábito de estar presente e atento à sua mente, seu corpo, seus sentimentos e suas atitudes, será tão natural que tudo aquilo que expressar verbalmente ou não, terá um grande poder de realização interior e em todo o campo à sua volta.

Fale palavras cheias de fé, crendo. Como disse Jesus, as palavras que você fala são espírito e vida.

Em Hebreus 4.12 lemos que… A palavra de Deus é viva e eficaz e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes …

As palavras também são sementes. Semeamos palavras e colhemos de acordo com que semeamos.

Para termos um bom relacionamento devemos realçar os atributos positivos e diminuir os negativos.

Comunicar é mais do que saber falar.

Falar bem não significa comunicar-se bem.

Não basta saber falar é preciso se comunicar.

O órgão principal da boa comunicação não é a boca, mas o coração.

… Porque a boca fala o que está cheio no coração. (Mateus 12.34)

Seja tardia para falar, pronto para ouvir e tardia para se irar, (Tiago 1.19)

Todos nós sempre cometemos erros. Quem não comete nenhum erro no que diz é uma pessoa madura, capaz de controlar todo o seu corpo. (Tiago 3.2)

Seria importante fazermos um inventário do que falamos.

A filósofa e poeta Viviane Mosé afirma que a poesia é uma moldura vazada aonde a vida entra

O homem pensa e cria com as letras as palavras

A palavra em si é vazia, quem a preenche é nossa experiência de vida

Quando me comunico, eu mando a palavra cheia pra quem me ouve e a medida que ela vai chegando ela vai se esvaziando e quando o ouvinte a recebe, ele a preenche dando o seu sentido para aquele palavra

Este é a dificuldade do processo de comunicação, eu digo uma palavra e o meu ouvinte recebe outra.

É preciso ser modesto e termos consciência que o que eu digo não é exatamente o que o meu ouvinte está entendendo, e o contrário obviamente, é necessário traduzir o que está sendo dito,

Por isso não é preciso usar a palavra ao pé da letra

? Ouvir Martha Gabriel

Recursos usados para fins de prova judicial como a escuta telefônica, gravações de voz secreta estão atestam a amplitude do poder de identificação da voz.

Por isso acreditamos que esta é a principal razão das pesquisas revelarem que o maior medo da maioria das pessoas é de falar em público, superando o medo de altura.

Uma pesquisa feita pelo jornal inglês Sun Day Times com três mil americanos.

A pergunta era. Qual o seu pior medo? 41% disseram que era falar em público e 32% têm mais medo de altura.

A palavra apropriada falada nos momentos oportunos é de imensurável proveito.

O apostilo Paulo escreveu na carta aos Coríntios.

Na primeira carta, capítulo 13:

Eu poderia falar todas as línguas que são faladas na terra e até no céu, mas, se não tivesse amor, as minhas palavras seriam como o som de um gongo ou como o barulho de um sino.

Por isso é essencial termos consciência não só da necessidade de nos comunicarmos bem e melhor, mas prioritariamente focarmos todo nosso empenho exclusivamente para o proveito do outro, do nosso ouvinte.

Considerando os nossos públicos, os contextos e os propósitos ao expormos nossos conhecimentos e pensamentos, proporcionando benefícios aos nossos ouvintes.

Para isso é importante planejarmos, pensarmos antes de falar, diferentemente de falar primeiro e pensar depois, evitando o conflito e o ruído e semeando informação, diálogo e relacionamento humano saudável. (com o nosso ouvinte)

Consequências de problemas da fala nas relações humanas são vitais, principalmente no exercício de liderança, a exemplo do filme ganhador do Oscar (O Discurso do Rei), onde toda uma nação dependia da voz, da palavra falada pelo rei.

Se não tivermos o que dizer, é preferível usar o maravilhoso recurso do silêncio que alias é um tema que merece uma abordagem especial.

O silêncio faz parte central da fala que é constituída de sons e pausas, graves e agudos, ritmos e entonações.

Nele é que encontramos as entrelinhas, o sentimento da mensagem, para fazer com que as falas e escutas se acomodem.

É por causa desse momento breve, em que uma voz cessa e outra surge é que a palavra ganha significado e beleza.

A maioria das pessoas imagina que o importante no diálogo é a palavra. Engano, e repito: o importante é a pausa. É na pausa que duas pessoas se entendem e entram em comunhão. Nelson Rodrigues

Acerte o ritmo, os silêncios em uma fala – em outras palavras as pausas – são tão importantes para a comunicação do conteúdo quanto às palavras ditas, uma vez que elas dão a pontuação ao ouvido.

Apenas 3 minutos de silêncio por dia são suficientes para limpar, ressetar os nossos ouvidos.

ENSINO SUPERFICIAL DA ORALIDADE

Professora titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) e do programa de pós-graduação da Universidade de São Paulo (USP), Leonor Lopes Fávero, afirma que as “Manifestações da língua oral e escrita são manifestações da língua, então, para se entender a língua na sua totalidade, precisa-se estudar o oral também e não só o escrito.

A professora ratifica a importância de não tomar o texto falado como o lugar do erro.

Percebemos que infelizmente ainda hoje a oralidade é ensinada superficialmente, ou seja, sem objetivo especifico, sem a menor preocupação de um ensino organizado e estruturado, com finalidades para o desenvolvimento da escrita.

Um dos obstáculos que se colocam contra o desenvolvimento pleno da habilidade oral diz respeito ao fato considerarmos que a criança já fala ao chegar à escola, o que leva muitas pessoas a pensarem que ela já tem um domínio da modalidade oral.

Contudo, as instituições escolares dão à fala atenção quase inversa à sua centralidade na relação com a escrita. Crucial neste caso é que não se trata de uma contradição, mas de uma postura.

É estranho que, numa cultura tão preocupada com a inteligência, nossas aptidões sejam medidas em grande parte como habilidades em leituras, escrita e uso do computador, enfatizando quase exclusivamente, o pensamento linear do hemisfério esquerdo do cérebro.

É claro que precisamos desenvolver estas habilidades essenciais.

Mas elas não podem ser tão fundamentais quanto às aptidões para ouvir e falar

É complicadíssimo para pessoas de uma cultura escrita pensar nas palavras sem vinculá-las à escrita, entretanto, a oralidade pode existir sem a escrita, mas nunca a escrita existirá sem a oralidade.

Na teoria de atos da fala com base nas conferências proferidas por John Austin, em 1955, na Universidade de Harvard, EUA, ele afirma “dizer é transmitir informações, mas é também (e sobretudo) uma forma de agir sobre o interlocutor (o ouvinte) e sobre o mundo circundante. (“todo dizer é um fazer”).

FUNCIONAMENTO DA ORALIDADE

A comunicação oral ativa intensamente os mais variados estímulos sensoriais que vão além da função de transmitir conteúdos, mensagens inteligíveis.

A oralidade age no imaginário, ativa o repertório existencial da nossa memória armazenada dentro de determinados contextos.

Pelo fato da voz emitir som que são vibrações físicas que atingem não somente o nosso ouvido, mas o corpo todo.

Ondas sonoras só se configuram como um som para as pessoas quando são percebidas pela audição entre 20 a 20.000 hertz, a partir daí os nossos ouvidos não ouvem, mas as vibrações sonoras não deixam de nos atingir.

Segundo estudos do engenheiro e médico suíço, Hans Jenny que nos ajudando a entender como o som, da mesma forma que um oleiro modela o barro, nos molda e esculpe por dentro e por fora.

Dependendo das ondas e de outras características, os sons podem ter um efeito positivo ou negativo, de peso ou de leveza.

O som é energia que pode ser organizada em formas, padrões, figuras e proporções matemáticas, assim na música, na fala e nas expressões de agonia ou de alegria.

O som pode formar figuras geométricas complexas. Hans Jenny engenheiro e médico suíço, criou, por exemplo, vibrações em cristais através de impulsos elétricos e as transmitiu para uma chapa ou uma corda.

É importante fixar que a oralidade emitida pela voz humana é verdadeiramente musical. Ela contém uma condição melódica, ela é rítmica.

Se você gravar sua voz, por exemplo, quanto fala no telefone. Você vai constar à musicalidade da fala – dentro das quais se pode sentir a pulsações de um ritma que influencia o ritmo do pensamento e do comportamento.

Alfred Tomatis observa que Jesus conhecia o poder da audição. Para ele Jesus incorporava o Verbo – o Logos, o som perfeito. E a advertência de Jesus: “Aquele que tem uma orelha, deixai-o ouvir” – mostrando uma profunda compreensão do papel do ouvido e da voz na unificação da mente, corpo e espírito.

Todos nós precisamos ser ouvidos. Sabendo que somos ouvidos, começamos a amadurecer desenvolvendo idéias que irão prender a atenção dos ouvintes.

Nunca é demais enfatizar a diferença entre ouvir e escutar.

Ouvir é ativo enquanto escutar é passivo.

Você não precisa ouvir para escutar.

O primeiro passa para ouvir bem é ouvir com admiração infantil, afirma Dom Campbell autor do livro ‘O Efeito de Mozart’.

A palavra inglesa sound também significa sadio – um sinônimo para saúde e integridade – para indicar vitalidade básica e a fundação inabalável para tudo o que fazemos.

São, no sentido tanto de sadio, como no sentido de ser que tem a mesma raiz de som.

Quando as coisas vão bem, estamos “sintonizados e em harmonia” com os outros e com o mundo à nossa volta.

Nos relacionamentos esperamos “estabelecer certo tom”.

Quando as coisas vão mal estamos “fora de sintonia e de sincronia”

A palavra pessoa, persona no espanhol ou mascara pública (personagem), deriva da raiz grega per son, “o som passa pelo meio de”.

Na língua inglesa fica ainda mais configurada a origem da expressa que é person

Pelo fato da escrita ocupar proeminente posição na comunicação humana, especialmente nos últimos cinco séculos com a invenção da imprensa, e pela escassa reflexão sobre a comunicação falada é que estamos buscando conscientizar sobre a essencialidade dela na vida das pessoas.

Nossa audição torna-se normalmente mais aguda quando não temos pitas visuais.

Ainda assim uma pesquisa citada no livro ‘O Efeito Mozard’ de Dom Campbell revela que ouvir absorve em média 55% do nosso tempo de comunicação, enquanto o falar ocupa 23%, ler, 13%, e escrever 9%.

A linguagem é tão predominantemente oral, que dentre as milhares de línguas que existiram, apenas cerca de 106 possuíam escrita suficientemente desenvolvida para produzir literatura. Das 3 mil línguas hoje faladas, somente 78, aproximadamente, têm, de fato, uma literatura.

Quem usa uma língua escrita – o inglês, por exemplo – tem à sua disposição um vocabulário de pelo menos um milhão e meio de palavras, enquanto que uma língua exclusivamente oral não oferecerá ao falante mais do que alguns milhares.

Fernando Pessoa faz uma breve associação entre a palavra falada e a escrita.

Ele afirma que a palavra falada é imediata, local e geral.

A palavra escrita é mediata, longínqua e particular.

Segundo Fernando Pessoa a palavra falada é um fenômeno social, a escrita um fenômeno cultural; a palavra falada um fenômeno democrático, a escrita um fenômeno aristocrático.

A palavra escrita tem tudo que ser explicado, pois o leitor não nos pode interromper com o pedido de que expliquemos melhor.

Comparativamente com a visão que tem um sentido direcionado, binocular, vemos como num cone com cerca de 180 graus de largura e 120 de altura, a audição é completamente esférica. Anyone can place a sound precisely in three dimensions. Anyone can place a sound precisely in three dimensions.

Qualquer um pode colocar um som precisamente em três dimensões. We have no ‘deaf spot’ because hearing is and always has been our primary warning sense, and because it is vital to our spatial awareness.

Para o Dr. Alfred Tomatis os sons de alta freqüência (de 3 mil a 8 mil hertz ou mais) em geral ressoam no cérebro e afetam funções cognitivas, como o raciocínio, a percepção espacial e a memória. Sons de média freqüência (750 a 3 mil hetz), tendem a estimular o coração, os pulmões e as emoções, sons baixos (125 e 750 hertz) afetam o movimento físico.

Um zumbido grave tende a nos deixar cambaleantes, um ritmo grave e rápido, por outro lado, torna difícil, a concentração e a quietude.

Os aspectos mais estimulantes do som estão na faixa de alta freqüência, ajuda a ativar nosso cérebro e aumentam a atenção.

Para criar esse efeito, reduza o volume dos graves e, caso tenha equalizador gráfico, reduza também as freqüências médias e aumente os agudos.

As freqüências de 2 mil até 8 mil hertz, produzem mais benefícios. Seu ouvido direito deve estar voltado para o alto-falante.

O ouvido direito é dominante porque transmite os impulsos auditivos mais depressa aos centros da fala do cérebro localizados no hemisfério esquerdo do cérebro.

O ouvido esquerdo faz uma jornada mais longa através do hemisfério direito que não possui centros da fala, e só então vai para o hemisfério esquerdo, causando uma reação retardada, uma sutil perda de atenção.

Por isso é importante observar que o seu interlocutor fique ligeiramente à sua direta numa conversa ou reunião, ou se for o caso manter o telefone no ouvido direito, podendo melhorar sua audição, a concentração e a retenção das informações apresentadas.

Para ele o ouvido é o giroscópio, a CPU, o maestro de todo o sistema nervoso.

O ouvido integra as informações transmitidas pelo som, organiza a linguagem e nos dá a capacidade de perceber o horizontal e o vertical.

Por meio da medula, o nervo auditivo se conecta com todos os músculos do corpo.

O cérebro é comandado por imagens. Eu escrevo por imagens. Ao contar histórias crio imagens, falo delas. Rubem Alves.

O poder da audição não deve ser subestimado. Ouvir é vibrar em conjunto com o outro ser humano.

Quando ouvimos um bom orador ou cantor, começamos a respirar mais fundo, nossos músculos relaxam e nossas endorfinas fluem, aumentando o contentamento e a serenidade.

Por outro lado um orador ou cantor ruim nos deixa tensos e com a laringe comprimida. O corpo se contrai quanto tenta proteger-se de sons irritantes ou desagradáveis.

A maioria das pessoas gosta de ouvir música sem estar plenamente consciente de seu impacto.

Nós não temos nenhum “ponto surdo”, pois a audição é e sempre foi o nosso sentido primário de aviso, porque é vital para a nossa consciência espacial. These are the reasons that our hearing is on duty from before birth to death, with no rest at all.

Audição e espaço estão intimamente ligados permanentemente processo perceptivo. This is why there are few aural illusions, and why that phrase is unknown – whereas ‘optical illusion’ is so familiar.É por isso que há poucas ilusões sonoras, e por que essa expressão é desconhecida – considerando que a “ilusão de ótica” é tão familiar.

A narração é uma prática de linguagem e se renova a cada experiência de recordar, pensar e contar, porque “a narração avança e recua sobre a linha do tempo, como que transbordando a finitude espaço-temporal que é própria dos acontecimentos vividos” (BENJAMIN, 1986a, p.37).

A narração doa um tempo e um lugar, uma sequência e uma causalidade às reminiscências. Como diz Schank (apud PEREIRA; VEIGA; RAPOSO; FUKS; DAVID; FILIPPO, 2009, p.101), “a mente pode ser vista como uma coleção de histórias, coleção de experiências já vividas”.

Ferdinand Saussure, que é chamado o pai da lingüística moderna, insistia na superioridade do discurso oral, e entendia a escrita como um complemento desse discurso. A partir daí, muitos estudos foram desenvolvidos sobre fonêmica, que é a área científica que se ocupa do som das palavras. Henry Sweet, um inglês da época de Saussure, dizia que as palavras não são feitas de letras, mas de sons. Os seres humanos se comunicam de formas diversas, mas nenhuma delas é comparável à linguagem através do som articulado; o próprio pensamento está relacionado, de um modo muito especial, ao som.

CARACTERÍSTICAS DA ORALIDADE

A oralidade tem uma decodificação só, uma simples decodificação transformando a palavra em entendimento cerebral, na palavra escrita há uma dupla decodificação, tendo que transformar aqueles hieróglifos, aquele símbolo em palavra que depois são decodificadas pelo cérebro.

Na oralidade a voz é do emissor, já na escrita o leitor é quem empresta sua voz para o texto e é ele quem interpreta a emoção contida no texto, além estimulo que a audição pela emissão da vibração das ondas sonoras em comparação com a visão

Segundo aspecto que é fundamental no universo digital que tudo que é escrito exige atenção exclusiva, numa época em que as pessoas têm cada vez menos tempo, a voz, o som, a palavra falada pode ser consumida (ouvida) enquanto desenvolvemos outras tarefas, podemos ouvir enquanto estamos dirigindo, muitas vezes preso no trânsito, e assim por diante, ao passo quando temos que ler alguma coisa, temos que separar um tempo exclusivo para a leitura.

Por isso a tendência no universo digital é cada vez mais a gente se valer da palavra falada, tanto para consumir informação (ouvir) ou entretenimento como para emitirmos as mensagens em nosso dia a dia com o tempo mais escasso.

O que podemos concluir que isto é que dá a palavra falada e ouvida num enorme poder de comunicação, quanto mais for digital o mundo.

Walter Longo afirmar: a comunicação por escrito é como fazer sexo e a comunicação falada é como fazer amor.

Há um nível de envolvimento, de engajamento emocional que se percebe na palavra falada e ouvida que fica muito difícil ser percebida na palavra escrita.

Então se a gente quer expressar exatamente o que a gente sente, falando é sempre muito mais fácil transmitirmos a mensagem (aos ouvintes), principalmente em relação ao sentimento.

A palavra falada e ouvida gera aproximação, já que o emissor está presente no ato comunicacional, representado pela sua voz.

Promove a facilidade de compreensão da mensagem (pelo ouvinte), por conter a exata dimensão do que se quer comunicar, pode ser aplicada a mensagem falada nas diversas mídias digitais e nas convencionais.

Outro conceito sobre a palavra falada é que a nossa audição normalmente se torna mais aguda quando não temos pistas visuais que são preenchidas pela imaginação, lacunas preenchidas pelo imaginário.

Recebemos informações auditivas por intermédio dos ouvidos, da pele e dos ossos.

Ferdinand Saussure, que é chamado o pai da lingüística moderna, insistia na superioridade do discurso oral, e entendia a escrita como um complemento desse discurso.

A partir daí muitos estudos foram desenvolvidos sobre fonêmica, que é a área científica que se ocupa do som das palavras.

Parece-nos legítimo afirma mesmo que não em absoluto que a comunicação humana é essencialmente fonética, cabendo a escrita registra-la graficamente.

Entretanto, todos os textos escritos estão direta ou indiretamente relacionados ao universo do som.

Henry Sweet, lingüista inglês, dizia que as palavras não são feitas de letras, mas de sons.

A coordenadora do estudo e pesquisadora do Centro Internacional de Neurociências da Rede Sarah, afirma que a leitura aumenta as respostas à linguagem falada no córtex auditivo, em uma área relacionada à codificação dos fonemas.

Os seres humanos se comunicam de formas diversas, mas nenhuma delas é comparável à linguagem através do som articulado; o próprio pensamento está relacionado, de um modo muito especial, ao som.

Para mudarmos a maneira de pensar, se identificamos a necessidade, é mudar a forma de falar.

A fala é a expressão do pensamento, afinal, a boca fala o que abunda no coração

Como ponto de partida pode tomar um raciocínio do próprio José Saramago, para quem as características de sua técnica narrativa, o narrador oral não usa pontuação, fala como se estivesse a compor música e usa os mesmos elementos que o músico: sons e pausas, altos e baixos, uns, breves ou longas, outras” (SARAMAGO, JOSÉ)

“Ao aprender a falar, o ser humano também aprende a pensar, na medida em que cada palavra é a revelação das experiências e valores de sua cultura. Desse ponto de vista, tem-se que o verbal influencia nosso modo de percepção da realidade. Portanto, cabe a cada um assumir a palavra como manutenção dos valores dados ou como intervenção no mundo.” Cláudia Lukianchuki

Longe de nós pretendermos relegar papel da escrita a um plano secundário.

Ela está intimamente vinculada à fala e ambas constituem a linguagem.

O que em semiótica os teóricos chamam de um continuum tipológico.

Existem textos escritos que se situam, no contínuo, mais próximos ao pólo da fala conversacional (bilhete, carta familiar, textos de humor, por exemplo e principalmente a produção de mensagens pela internet), ao passo que existem textos falados que mais se aproximam do pólo da escrita formal (conferências, entrevistas profissionais para altos cargos administrativos e outros), existindo, ainda, tipos mistos, além de muitos outros intermediários.

Quem sabe escrever amplia os limites do tratamento de linguagem, antes restrito à modalidade auditiva. A conexão entre fala e escrita aumenta a capacidade de comunicação, com benefícios muito maiores do que a ciência pode medir.

Aprender a ler aumenta os estímulos visuais — inclusive na área visual primária do córtex, responsável por perceber fatores como cor, profundidade e distância.

Quem sabe ler e escrever distingue jogos de linguagem que passam despercebidos pelos analfabetos, como a supressão de fonemas em uma palavra.

O estudo da oralidade é uma questão de extrema importância no processo de interação verbal, neste sentido é falso dizer que a oralidade privilegia apenas a espontaneidade, o relaxamento, a falta de planejamento, e até o descuido em relação às normas da língua padrão; muito pelo contrário para uma oralidade eficiente, precisa seguir normas e padrões necessárias para seu uso e verdadeiro entendimento. Neste contexto a uma extrema necessidade de desenvolvermos atividades principalmente nos livros didáticos, pois é um grande instrumento do professor. Com isso vimos a necessidade de uma pesquisa sobre essas atividades.

Sublinhe-se na definição de Marcuschi que a oralidade se caracteriza pela diversidade de gêneros textuais e acrescente-se que o domínio desses gêneros faz parte da competência comunicativa de cada falante. Competência que vai permitir a esse falante transitar dentro de um espectro de realizações, diante das inúmeras situações de fala que se lhe apresentarão durante a vida. Um dos obstáculos que se colocam contra o desenvolvimento pleno da habilidade oral diz respeito ao fato desabermos que a criança já fala ao chegar à escola, o que leva muitas pessoas a pensarem que ela já tem um domínio da modalidade oral. Daí decorre um problema que é o de se confundir a “oralidade” com a “fala”, na medida em que esta, segundo Marcuschi,(2001) “seria uma forma de produção textual discursiva para fins comunicativos na modalidade oral (situa-se no plano da oralidade), portanto, sem uma tecnologia além do aparato disponível pelo próprio ser humano”.

Não basta, portanto, que atividades de linguagem oral sejam consideradas apenas como oportunidades de interação oral com o professor e os colegas; elas precisam ser planejadas para o desenvolvimento de habilidades de produção e recepção de textos orais freqüentes em situações mais formais, que exigem preparação e estruturação adequada da fala, textos de diferentes gêneros, com diferentes objetivos e diferentes interlocutores, falados ou ouvidos em função de determinadas condições de produção e determinadas situações de interação.

Os estudiosos, de uns anos para cá, passaram a encarar de um modo diferente o significado da linguagem oral e os contrastes entre este tipo de expressão e a escrita. Ferdinand Saussure, que é chamado o pai da lingüística moderna, insistia na superioridade do discurso oral, e entendia a escrita como um complemento desse discurso. A partir daí, muitos estudos foram desenvolvidos sobre fonêmica, que é a área científica que se ocupa do som das palavras. Henry Sweet, um inglês da época de Saussure, dizia que as palavras não são feitas de letras, mas de sons. Os seres humanos se comunicam de formas diversas, mas nenhuma delas é comparável à linguagem através do som articulado; o próprio pensamento está relacionado, de um modo muito especial, ao som.

A linguagem é tão predominantemente oral, que dentre as milhares de línguas que existiram, apenas cerca de 106 possuíam escrita suficientemente desenvolvida para produzir literatura. Das 3 mil línguas hoje faladas, somente 78, aproximadamente, têm, de fato, uma literatura. É claro que o valor da escrita não pode ser negado. Quem usa uma língua escrita – o inglês, por exemplo – tem à sua disposição um vocabulário de pelo menos um milhão e meio de palavras, enquanto que uma língua exclusivamente oral não oferecerá ao falante mais do que alguns milhares. Entretanto, todos os textos escritos estão direta ou indiretamente relacionados ao universo do som.

Segundo Marcuschi(1997)

A fala é uma atividade muito mais central do que a escrita no dia a dia da maioria das pessoas. Contudo, as instituições escolares dão à fala atenção quase inversa à sua centralidade na relação com a escrita. Crucial neste caso é que não se trata de uma contradição, mas de uma postura. 

(este artigo trata-se de um ensaio, passível de correções e atualizações)