Voice Design

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Conceituação

 Numa tradução literal do inglês para o português, voice design é o projeto da voz.

É o design da voz, entretanto com uma designação específica, para fins comunicativos.

É o design da oralidade.

A expressão também pode ser compreendida como design + ação = designação da voz, desenho da voz, a modelagem da voz, a engenharia da voz, a voz arquitetada, a voz consciente, a voz ativa, a voz passiva, a sabedoria da voz e por extensão o sabor da voz, a voz audível, a voz inaudível.

Voice design é uma nova área do design gerar plena consciência e completo empoderamento da oralidade estruturada como modalidade do uso da língua.

Na raiz grega a palavra pessoa significa per son ‘por meio do som’. No espanhol persona, no inglês person.

A voz é a marca do indivíduo, da sua personalidade, a manifestação da sua identidade.

Na raiz grega a palavra pessoa significa ‘por meio do som’. No espanhol persona, no inglês person.

Portanto, a pessoa é exposta pelo som articulado que ela emite.

É como somos identificados e como nos identificamos com o mundo.

É pelo design da voz é que o indivíduo compreende a si mesmo e revela-se aos outros.


Objetivos

O propósito do Voice Design é prover o estado pleno de consciência sobre o ato comunicativo e sobre processo, contexto e circunstância comunicacional.

O Voice Design oferece um conhecimento teórico e prático, com propósito de ampliar a dimensão da comunicação formal e informal, interpessoal e intrapessoal , estruturada e não estruturada.

O objetivo é levar  o aprendiz conhecer com profundidade as características a sua voz, ganhar mais intimidade com ela que permita o domínio completo sobre os seus múltiplos recursos, da habilidade da escuta estruturada e do cenário da comunicação, adequando-a a cada contexto e circunstância.

Compreende de um lado a comunicação verbal, a lógica da linguagem, a produção estruturada do discurso.  

E de outro trata da comunicação não verbal, da estética da voz.

O Voice Design amplia a dimensão da comunicação humana ao priorizar a interpretação da intencionalidade dos códigos sonoros emitidos, promotor do sentido mais completo da palavra oralizada.

O Voice Design enfatiza que é essencial a prática de planejar, de pensar antes de falar, ganhar assertividade, evitar o conflito e o ruído e semear informação, diálogo e relacionamento humano, prioritariamente o proveito do ouvinte.

O Voice Design considera o mesmo rigor que normalmente se dedicada a construção da escrita, para ser aplicada similarmente na oralidade.

Assim como normalmente se dedica atenção para escrever bem, o Voice Design compreende que deve ser assim também na fala.

O campo de ação do voice design compete criar, planejar, elaborar, desenvolver, organizar e modelar a voz, como instância efetiva do processo comunicacional, num sistema de sonorização vocal capaz de atribuir diversas funcionalidades.

Permite o o controle sobre diferentes parâmetros acústicos de diversas fontes sonoras, com o propósito de potencializar a retenção do conteúdo transmitido.

O Voice Design oferece inovadoras maneiras de perceber planejar e praticar a fala e a escuta.


Estruturação

A estrutura do Voice Design baliza-se:

1) Na performance da condição melódica da voz sustentada pela estrutura na música instrumental e vocal, como timbre, frequência, entonação, tonalidade, altura, intensidade, amplitude, velocidade, volume, ritmo, harmonia, métrica, arranjo, nota e pausa, entre outros. A base do Voice Design é a música por pertencer a família do som. O suporte da imagem e o processo de ensino-aprendizagem fazem parte dos seus fundamentos.

2) Num paralelismo com os pressupostos do design, como tonalidade, alinhamento e proximidade, aplicados analogamente ao universo do som produzido pela voz.

3)  Nos conceitos, fundamentos e processos do design instrucional, se constitui num aprofundamento de um dos seus pilares, o da instrução, compreendida como a atividade de ensino que se utiliza da comunicação para fins de aprendizado, bem como, do design, definido como resultado de um processo ou atividade com propósitos e intenções definidos, em termos de forma e de funcionalidade.

4) no Design Thinking definido como um conjunto de ações táticas de como implementar estratégias baseadas no campo da economia criativa.

5) e no Personal Brand, tendo na voz a principal marca que caracteriza o indivíduo;


Subtemas

O Voice Design gerou subtemas que originaram novas áreas de atuação, tratada com mais profundida na sequencia desta descrição.

1) Voice Design Branding que trata da marca do projeto pessoal da voz.

2) Voice Design Thinking uma junção entre Voice Design, o Projeto da Voz e Design Thinking, o Design do Pensamento, sustentado no tripé: Inovação, Empatia, Conexão. Esta área compreende a construção de uma engenharia relacional que atenta a demanda da corporação, capaz maximizar a assertividade e promover afetividade geradora de efetividade que revele e clarifique a visão de futuro da companhia.

3) Instructional Voice Design se dedica a análise da estrutura lógica da linguagem e da estética da voz, aplicando metodologias resultantes de pesquisas e estudos multidisciplinares, envolvendo diversos campos científicos. A metodologia aplicada compreende a construção de uma engenharia da voz que atenta  a demanda do perfil do público, capaz maximizar a assertividade e promover afetividade geradora de efetividade no campo do ensino.

Propõe a elaboração de um planejamento para desenvolver habilidades de produção de conteúdos orais, que exigem preparação e roteirização rigorosa da fala.


Metodologia

A metodologia é sustentada predominantemente na antropologia e com base na arte da retórica e na construção da tradição oral, compreendendo a formulação fraseada do conteúdo a ser oralizado, preferencialmente usando sentenças curtas e na ordem direta, evitando o uso de preposições e conjunções.

Quando o recurso gramatical for requerido, a indicação da metodologia é elaborar nova frase e assim consecutivamente.

Na seqüência das frases deve se aplicar o recurso da versicularização, com o propósito de imprimir musicalidade, melodia, ritmo necessário para viabilizar a memorização do conteúdo pelo receptor, ouvinte, aluno.

O planejamento fonético compreende a aplicação contextualizada de: entonação, tonalidade, ritmo, velocidade, volume, freqüência sonoras, amplitude, tom de grave e de agudo, entre outros recursos de fonação.

Concomitantemente ao planejamento fonético, o aprendiz deve exercer prioritariamente um monitoramento perceptivo sobre o receptor e sobre o cenário onde a comunicação está sendo realizada, considerando entre outros aspectos as condições logísticas, estéticas e acústicas, permeadas pela aplicação de pausas estratégicas e perguntas promotoras de diálogo.

Cabe ao aprendiz ser capacitado para monitorar o limite da memória de trabalho do receptor, atentando-se quantificação de informação por tempo de exposição que não comprometa o espaço para o processamento do mensagem e que garanta o armazenamento pela memória de longo prazo, de modo suficientemente afetivo que gere motivação no receptor para uma experiência com o conteúdo memorizado e com isso viabilize a sua aprendizagem.

A memória de trabalho une informações visuais e auditivas e posteriormente as integra ao conhecimento já armazenado na memória de longo prazo. É por essa razão que oferecer palavras, imagens e sons em uma apresentação unificada torna a integração entre os canais processamento sensorial mais fácil.

O Voice Design compreende a aplicação simultânea e sincronizada da narrativa oral  com elementos gráficos e visuais de aprendizagem, nos diferentes planos e perspectivas audiovisuais, visando potencializar a retenção do conhecimento transmitido.

Promover exercício de diálogo, oportunizar o compartilhamento das competências e experiências individuais e coletivas.

Este infográfico apresenta uma alternativa de aplicação do Voice Design para a Educação. Ele pode ser adaptado para outros setores de atividade.

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Considerações

O Voice Design considera que a voz é a função do corpo que mais se expõe e a que mais nos expõe e que saber utilizá-la com excelência é uma importantíssima habilidade e um relevante fator de humanização das relações pessoais e profissionais.

Nós não temos nenhum “ponto surdo”, pois a audição é e sempre foi o nosso sentido primário de aviso, porque é vital para a nossa consciência espacial.

É por isso que há poucas ilusões sonoras, e por que essa expressão é desconhecida – considerando que a “ilusão de ótica” é tão familiar.

O sentido da audição não pode ser desligado à vontade. Não existem pálpebras auditivas.

A comunicação oral atua com profundidade no intelecto do indivíduo, levando o receptor ao um grau elevado de atenção, promovido pela ativação mecânica transmitida pela voz.

As vibrações físicas mecânicas do som são recepcionadas pela audição, atingindo a medula central, mesmo que sutilmente, altera a nossa respiração, nossa pulsação, a pressão sanguínea, a tensão muscular, a temperatura da pele e outros ritmos internos, promove a liberação de endorfina.

O som emitido pela voz tem um fenômeno áudio-tátil.

Somos tateados pelos sons, sejam notas musicais, palavras cantadas e palavra falada, por intermédio dos ouvidos, mas também pela pele, pelos ossos e por todo corpo.

A palavra falada tem uma decodificação só, uma simples decodificação transformando a palavra em entendimento cerebral, na palavra escrita há uma dupla decodificação, tendo que transformar aqueles hieróglifos, aquele símbolo em palavra que depois são decodificadas pelo cérebro.

“Ao aprender a falar, o ser humano também aprende a pensar, na medida em que cada palavra é a revelação das experiências e valores de sua cultura. Desse ponto de vista, tem-se que o verbal influencia nosso modo de percepção da realidade. Portanto, cabe a cada um assumir a palavra como manutenção dos valores dados ou como intervenção no mundo.” Cláudia Lukianchuki

A oralidade permite a conquista da plena de expressão do pensamento estruturado, do exercício do poder sobre si focado do legítimo interesse do outro, na formação de liderança, na manifestação da personalidade (Pessoa no grego: Por meio do som), vencer a infantilidade intelectual (Infantil no grego: Não domina o atributo da fala), entre inúmeros argumentos e aspectos.

Diversos trabalhos acadêmicos diagnosticam a superficialidade do ensino organizado e estruturado da oralidade.

Estudiosos de notório reconhecimento avaliam a negligência com que é tratada esta área do conhecimento, como emblematicamente atesta o linguística Luiz Antonio Marcuschi (1997) que conceitua:

‘A fala é uma atividade muito mais central do que a escrita no dia a dia da maioria das pessoas. Contudo, as instituições escolares dão à fala atenção quase inversa à sua centralidade na relação com a escrita. Crucial neste caso é que não se trata de uma contradição, mas de uma postura’.

Com base na antropologia, sociologia e outras ciências sociais se constata  ao longo da história estendendo-se aos dias de hoje, uma permanente ação inibidora às gentes, a sociedade, sobre o uso pleno do atributo da oralidade na cena pública, invariavelmente vista como uma habilidade com alto potencial de ameaça as estruturas de comando.

Assim, a escola, mantém em larga escala o predomínio de uma didática expositora na transmissão do conhecimento, contestada por Paulo Freire como a “Educação Bancária”, papel que vem sendo executado pela televisão, seguida por outras mídias, que disciplinou o silêncio e a alienação da palavra.


Análise 

Além de outras razões, esta é uma das justificativas das pesquisas que insistentemente apontam a capacidade da exposição oral, o falar em público, como um dos maiores medos do ser humano, superando o medo de altura e até da morte.

Paralelamente a este cenário, as elites sociais foram e são ensinadas a qualificar a arte da retórica, a desenvoltura verbal e a capacidade de articulação do discurso com o propósito do exercício e da manutenção do poder. Ao contrário, para quase toda a população, a escola, como hoje a televisão, foi instituição que disciplinou o silêncio e a alienação da palavra.

A cultura letrada promove benefícios inquestionáveis e imensuráveis, apesar da sua indiscutível legitimidade da contribuição do letramento, apresenta um viés de interesse de dominação social, de domesticação do pensamento estruturado, da ditadura das definições e conceituações, das delimitações da racionalidade, com o intuito de ganhar espaço apenas na memória e não no poder individual e coletivo da reflexão.

Ao passo que a oralidade permite a conquista da plena expressão do pensamento, do exercício do poder voltado ao legítimo proveito do coletivo, na formação de liderança, na manifestação da personalidade (Pessoa no grego: Por meio do som), vencer a infantilidade intelectual (Infantil do grego: Aquele que não está habilitado para o  atributo da fala), da expansão da inteligência intuitiva, da estética como meio de aquisição do conhecimento não verbal e da renovação das ideias.

McLuham escreveu que “O terror e estado normal de qualquer sociedade oral, pois nelas, todas as coisas afetam tudo, o tempo todo”.

Ferdinand Saussure, que é chamado o pai da linguística moderna, insistia na superioridade do discurso oral, e entendia a escrita como um complemento desse discurso. A partir daí, muitos estudos foram desenvolvidos sobre fonêmica, que é a área científica que se ocupa do som das palavras. Henry Sweet, um inglês da época de Saussure, dizia que as palavras não são feitas de letras, mas de sons. Os seres humanos se comunicam de formas diversas, mas nenhuma delas é comparável à linguagem através do som articulado; o próprio pensamento está relacionado, de um modo muito especial, ao som.

A linguagem é tão predominantemente oral, que dentre as milhares de línguas que existiram, apenas cerca de 106 possuíam escrita suficientemente desenvolvida para produzir literatura. Das 3 mil línguas hoje faladas, somente 78, aproximadamente, têm, de fato, uma literatura.

É claro que o valor da escrita não pode ser negado. Quem usa uma língua escrita – o inglês, por exemplo – tem à sua disposição um vocabulário de pelo menos um milhão e meio de palavras, enquanto que uma língua exclusivamente oral não oferecerá ao falante mais do que alguns milhares.

Ler um texto, é transformá-lo em som, audível ou imaginativo. A oralidade pode existir sem a escrita, mas nunca a escrita existirá sem a oralidade.

1 Adaptação feita por Sebastião Guimarães Costa Filho de texto escrito por Walter J. Ong e traduzido por Enid Abreu Dobranszky, para estudo na 8a série do ensino fundamental.

A partir daí, muitos estudos foram desenvolvidos sobre fonêmica, que é a área científica que se ocupa do som das palavras. Henry Sweet, um inglês da época de Saussure, dizia que as palavras não são feitas de letras, mas de sons.

Os seres humanos se comunicam de formas diversas, mas nenhuma delas é comparável à linguagem através do som articulado; o próprio pensamento está relacionado, de um modo muito especial, ao som.

Consuelo Casula, presidente da Sociedade Européia de Hipinose, em seu livro Metáforas – Para a Evolução Pessoal e Profissional afirma que: “As metáforas nascem para serem contadas e não escritas, para serem ouvidas e não lidas: pertencem à transmissão oral, ao mundo dos sons, da voz escrita, da palavra recitada. São próprias da linguagem falada, que possui códigos diferentes da linguagem escrita. Gostaria que o leitor predispuzessem-se a ler a metáfora como se alguém a contasse. Podem encontrar uma posição cômoda, podem diminuir o ritmo da respiração e da leitura. E ler, muito lentamente, a metáfora”.

Ela escreve: Peço que quem lê que entre em ponta de pés no mungo da metáfora, para saboreá-la; que leia lentamente, para ouvir a música por trás das palavras e colher entre as linhas o que não está escrito para assim prová-la como o que realmente é: uma transcrição para piano e uma composição para orquestra, da qual, portanto, perdeu algumas notas, acordes e sons originários”.

No livro O Efeito Mozart de Dom Campbell relata as experiências do Dr. Alfred Tomatis, M.D., médico francês, dedicado a pesquisas da audição humana que descobriu que a voz da mãe serve como cordão umbilical sônico para o bebê em desenvolvimento e também como fonte primal de estímulo. Ele afirma que o feto é capaz de escutar. O ouvido é o primeiro “órgão” a se desenvolver no embrião, ou seja, o que a futura mamãe ouve, sejam as suas músicas preferidas, as conversas ou mais outros sons são ouvidas também pelo futuro bebê que está funcional a partir de quatro meses e meio de gestação, e que interferem em suas características – que começa a se manifestar nos primeiros meses de vida.

Ainda ele afirma que “a nutrição vocal que a mãe provê é tão importante como o seu leite para o desenvolvimento da criança”.

voice design diagnostica que a palavra falada tem grande influência na maneira como vivemos, pois é por meio dela que as pessoas na maior parte do tempo se comunicam com o mundo externo, a partir do primeiro choro.

As palavras carregam o poder criativo ou destrutivo. A fonte da palavra é o pensamento. A língua dispara e verbaliza o pensamento.

A palavra é um símbolo que expressa uma ideia, e está intrinsecamente relacionada com nossa mente que, por sua vez, está relacionada diretamente com nosso corpo, com nossos sentimentos, com nossas atitudes e com nossas ações.

Constata-se que contemporaneamente a oralidade apesar de juntamente com a leitura e a escrita constituírem os pilares da educação pública. Ela é ensinada superficialmente, ou seja, sem objetivo específico, sem a menor preocupação de um ensino organizado e estruturado, capaz de promover o domínio da habilidade discursiva do falante.

Por isso, consideramos equivocado negligenciar o poder da comunicação oral, em especial na área educacional, negando um atributo indispensável para o desenvolvimento intelectual e humano do aprendiz.

Em entrevista concedida pelo psicanalista e escritor Augusto Jorge Cury, ele considera que a palavra falada tem uma relevância enorme para estimular o Eu como autor da história, mas, infelizmente, educadores que somos extremamente secos, frios não usamos a anatomia da palavra, os contornos da palavra, as várias tonalidades, a cênica, a teatralização da palavra, conseqüentemente nos tornamos educadores pobres e que empobrece o processo de desenvolvimento da formação da personalidade.

O resgate da língua falada na escola, atualmente, constitui problema essencial, hoje, como nunca, os alunos falam e conversam na escola, dentro e fora das aulas. Tratar-se de outro tipo de fala, desconhecida pelos alunos e professores – trata-se da fala em cena pública.

Cursos e treinamentos de executivos e profissionais liberais que prometem o domínio do falar em público. Como eles, muitos professores, profissionais da palavra, manifestam fobia de levantar a voz na cena pública. Associado usualmente à timidez ou a sintoma psíquico, esse medo tem história, função e mapeamento político e social claro: são os oprimidos os que não ousam abrir a boca e os que se deixam falar pelos outros.


Oralidade 

Num mundo onde a escassez do tempo supera qualquer outro favor existencial, justamente por permitir que outras funções indispensáveis e inadiáveis possam ser realizadas, enquanto se está ouvindo conteúdos de interesse, quando e onde o ouvinte desejar.

É fundamental no universo digital que tudo que é escrito exige atenção exclusiva, em uma época em que as pessoas têm cada vez menos tempo, a voz, o som, a palavra falada pode ser consumida enquanto desenvolvemos outras tarefas e isto é que lhe dá um enorme poder de comunicação, quanto mais o mundo for digital.

Mas o fato é que muitas das nossas plataformas de comunicação estão mudas e cremos é necessário dar voz a comunicação e a marca das organizações que estão baseadas nelas.

Com isso ganhando, principalmente, personalidade, já que é através do som, da música, da palavra falada ou até mesmo cantada é que se adquire esta condição.

O Voice Design contempla a seleção e a escolha de mídias auditivas e audiovisuais aplicadas em interfaces analógicas ou digitais, de modo persencial ou virtual, aberta (online), permitindo a interação do aluno durante o processo de instrução ou fechada (finalizada), capazes de ativar os vários estímulos sensoriais audiovisuais, considerando o fato da audição possuir um subsistema separado do processo de absorção visual.

Numa produção midiática oral o emissor  da mensagem está presente no ato comunicacional, representado pela sua voz, com ou sem a opção do suporte visual.

Já na escrita, o leitor é quem empresta sua voz e interpreta a emoção contida no texto.

As palavras escritas, por mais importantes que sejam, são um passo gigantesco para longe da voz que fala. Deve-se fazer um esforço resoluto para ouvir a voz que fala e para escutá-la, não apenas olhar para ela e estudar a palavra escrita.

Por meio da linguagem, todo o ciclo de falar e escutar, é capaz de revelar vastos interiores antes inacessíveis a nós.

A industria da comunicação  trata a linguagem cima de tudo como informação ou estímulo, não como revelação.

Pregação é proclamação, transmite o pessoal e o presente.

Ensino com aforismos cintilantes, mais que informações, remodela nossas imaginações com metáforas, possibilitando interiorizar o conteúdo e multidimencionado.

O ensino reúne as partes, estabelece conecções, demonstra relações – “liga o pontilhado”, como dizemos.

Intercâmbio conversacional, não estruturado, brotam de episódios e encontros de  uns com os outros que se dão no curso normal da voz com a nossa família e nos locais de trabalho, em parques e nas compras de supermercado, e, aeroportos à espera de um voo e andando com amigos de binósculos na mão, divisando pássaros.

O voice design está voltado tanto como ser aplicado isoladamente na construção de processos, produtos e soluções auditivas, como para a exploração dos aspectos cognitivos e estéticos da oralização da palavra sincronizada com a linguagem visual,levando em consideração as referências culturais e estéticas, capaz de ativar os diversos estímulos sensoriais, para fins de potencializar a fixação do conteúdo proposto, nos diferentes planos e perspectivas audiovisuais, viabilizando a retenção do conhecimento.


Audição

Estudo do Voice Design diagnostica que a nossa contemporaneidade, em especial a sociedade ocidental, tem sido marcada pela predomínio da imagem. Permanentemente temos sido bombardeados pelo impacto visual, o que para muitos estudiosos tem sido a causa da inibição do desenvolvimento da nossa capacidade criativa.

Em contra partida da comunicação auditiva atua com profundidade no intelecto, por meio da ativação física do som e pela criação cerebral de imagens capazes de identificar a anatomia, os contornos, as diversas tonalidades, cênica, a teatralização da palavra falada, são alguns dos aspectos que são considerados neste estudo.

Ondas sonoras só se configuram como um som para as pessoas quando são percebidas pela audição entre 20 a 20.000 hertz, a partir daí os nossos ouvidos não ouvem, mas as vibrações sonoras nos atinge por inteiro. (O efeito Mozart, Dom  Campbell)

Para o Dr. Alfred Tomatis os sons de alta frequência (de 3 mil a 8 mil hertz ou mais) em geral ressoam no cérebro e afetam funções cognitivas, como o raciocínio, a percepção espacial e a memória. Sons de média frequência (750 a 3 mil hetz), tendem a estimular o coração, os pulmões e as emoções, sons baixos (125 e 750 hertz) afetam o movimento físico.

Um zumbido grave tende a nos deixar cambaleantes, um ritmo grave e rápido, por outro lado, torna difícil, a concentração e a quietude.

Os aspectos mais estimulantes do som estão na faixa de alta frequência, ajuda a ativar nosso cérebro e aumentam a atenção.

Para criar esse efeito, reduza o volume dos graves e, caso tenha equalizador gráfico, reduza também as freqüências médias e aumente os agudos. As frequências de 2 mil até 8 mil hertz, produzem mais benefícios. Seu ouvido direito deve estar voltado para o alto-falante.

Alias, quanto ao ouvido direito, ele é dominante porque transmite os impulsos auditivos mais depressa aos centros da fala do cérebro localizados no hemisfério esquerdo do cérebro.

O ouvido esquerdo faz uma jornada mais longa através do hemisfério direito que não possui centros da fala, e só então vai para o hemisfério esquerdo, causando uma reação retardada, uma sutil perda de atenção.

Por isso é importante observar que o seu interlocutor fique ligeiramente à sua direta numa conversa ou reunião, ou se for o caso manter o telefone no ouvido direito, podendo melhorar sua audição, a concentração e a retenção das informações apresentadas.

“Quanto mais estudo audição, mais convencido fico de que aqueles que sabem ouvir constituem as exceções” – afirma o médico Alfred Tomatis.

Para ele o ouvido é o giroscópio, a CPU, o maestro de todo o sistema nervoso. O ouvido integra as informações transmitidas pelo som, organiza a linguagem e nos dá a capacidade de perceber o horizontal e o vertical. Por meio da medula, o nervo auditivo se conecta com todos os músculos do corpo.

O poder da audição não deve ser subestimado. Ouvir é vibrar em conjunto com o outro ser humano.

Quando ouvimos um bom orador ou cantor, começamos a respirar mais fundo, nossos músculos relaxam e nossas endorfinas fluem, aumentando o contentamento e a serenidade.

Por outro lado um orador ou cantor ruim nos deixa tensos e com a laringe comprimida. O corpo se contrai quando tenta proteger-se de sons irritantes ou desagradáveis.

A maioria das pessoas gosta de ouvir música sem estar plenamente consciente de seu impacto.

Nós não temos nenhum “ponto surdo”, pois a audição é e sempre foi o nosso sentido primário de aviso, porque é vital para a nossa consciência espacial.

Audição e espaço estão intimamente ligados permanentemente num processo perceptivo.

É por isso que há poucas ilusões sonoras, e por que essa expressão é desconhecida – considerando que a “ilusão de ótica” é tão familiar.

Em nossa pesquisa e estudo sobre voice design, constatamos que, infelizmente, a grande maioria das pessoas não se prepara para se comunicar e o resultado dá nisso que estamos facilmente verificando, uma crescente “descomunicação” jamais vivenciada na humanidade, apesar do inimaginável progresso da tecnologia digital.

Estamos avançando, é verdade, nas mais diversas possibilidades de relacionamentos virtuais, mas estamos deixando de usufruir do valor do diálogo, da conversa, do poder da palavra falada e ouvida, da nossa essência humana.

Com isso estamos abrindo mão de uma das mais fundamentais características da nossa humanidade que é a habilidade de ouvir.

Raras são as pessoas que se dispõe ouvir exatamente o que a outra está dizendo.

Um dos maiores desafios de comunicação é como o receptor ouve o que o emissor falou, já que a mesma frase permite diferentes níveis de entendimento.

Diante deste diagnóstico baseado num artigo de Artur da Távola “O Difícil Facilitário do Verbo Ouvir” podemos identificar que o receptor não ouve o que o outro fala por diversas razões; e por isso, vamos enumerar na sequência, normalmente se ouve:

  • a) se ouve não o que está sendo dito, mas o que se quer ouvir;
  • b) se ouve o que já escutou antes, mas sobre aquilo que se acostumou a ouvir;
  • d) se ouve o que imagina que o outro ia falar, pensando mais no que vai dizer;
  • e) se ouve o que gostaria que fosse dito e não no que está sendo falado;
  • f) se ouve o que ele está sentindo no momento;
  • g) se ouve o que já pensava a respeito daquilo que a outra está falando;
  • h) se ouve o que confirme ou discorde o seu próprio pensamento;
  • i) se ouve apenas aqueles pontos que possam fazer sentido para as suas ideias e suas opiniões;
  • l) se defendem ao ouvir o que está sendo dito;
  • m) escolhe não ouvir o que o outro está dizendo, normalmente sobre verdades que não conseguem contestar;
  • n) se recusa ouvir o outro, por desconhecerem o assunto e evitar se sentir ignorante, diminuída diante do seu interlocutor.

Esses aspectos ilustram como é difícil ouvir, se comunicar.

Em muitas circunstancias o que ocorre são monólogos simultâneos como se estivesse conversando, ou são monólogos paralelos, como que estivesse dialogando.

A comunicação ocorre somente e tão somente quando dois indivíduos se ouvem, tanto a si mesmos como compreenderem o que o outro está exatamente dizendo.

Como afirma a professora, psicóloga e psicanalista Viviane Mose:

“Que a palavra em si mesma não é nada, o que vale é o acordo que estabelecemos para nos comunicarmos”.

Para ouvir é indispensável esvasiar-se de si mesmo, eliminar da mente todas as interferências do próprio pensamento durante a fala do interlocutor.

Ouvir implica uma entrega ao outro. Daí a dificuldade de as pessoas inteligentes efetivamente ouvirem. A sua inteligência em funcionamento permanente, o seu hábito de pensar, avaliar, julgar e analisar tudo interferem como um ruído na plena recepção daquilo que o outro está falando.

Sabedoria, sim, é a característica própria e reveladora de um bom ouvinte.

Desafia de abrir-se para seu mundo interior; de um impulso na direção do próximo, do interlocutor, de uma comunhão com ele, de aceitá-lo, como é e como pensa.

Depois que a pessoa aprende a ouvir ela passa a fazer descobertas incríveis escondidas em tudo aquilo que os outros estão falando.

Um novo mundo de possibilidades se descortina com a aquisição da arte de ouvir.

É o caminho seguro do poder que a palavra falada tem na vida da gente.

Ouvir é raridade. Ouvir é ato autentico de sabedoria.

O som emitido pela voz tem um efeito áudio-tátil. Somos tateados pelos sons, sejam notas musicais, palavras cantadas e a palavra falada, por intermédio dos ouvidos, mas também pela pele, pelos ossos e por todo corpo, a partir da medula central que recepciona as vibrações físicas do som, mesmo que sutilmente, altera a nossa respiração, nossa pulsação, a pressão sanguínea, a tensão muscular, a temperatura da pele e outros ritmos internos, promove a liberação de endorfina.

Fundamentando o conceito de áudio-tátil recorremos a explicação de Murray Schafer em seu livro Afinação do mundo:

O tato é o mais pessoal dos sentidos. A audição e o tato se encontram no ponto em que as mais baixas frequências de sons audíveis passa a vibrações tateis (cerca de 20 hetz). A audição é um modo de tocar, a distância, e a intimidade do primeiro funde-se cada vez que as pessoas se reúnem para ouvir algo especial.

O sentido da audição não pode ser desligado à vontade. Não existem pálpebras auditivas.

Schafer contextualiza que a única proteção para os ouvidos é um elaborado mecanismo psicológico que filtra os sons indesejáveis, para se concentra do que é desejável. Os olhos apontam para fora: os ouvidos, para dentro. Eles absorvem informação, Wagner disse: “O homem voltado para o exterior apela para o olho, homem interizado, para o ouvido”.

Ainda assim uma pesquisa citada no livro ‘O Efeito Mozard’ de Dom Campbell revela que ouvir absorve em média 55% do nosso tempo de comunicação, enquanto o falar ocupa 23%, ler, 13%, e escrever  9%.

Todos sabem da importância da escrita. Não se pode negar sua contribuição para a humanidade. Aposto que você não consegue pensar em escola, aula, professor, aprendizagem, enfim, em “tudo” que acredita estar relacionado ao ensino, sem antes pensar na grande estrela – a escrita. No entanto, não se pode esquecer da oralidade. Na sua opinião, o que significa essa palavra? Qual a importância dela na sua vida? Que história já ouviu a respeito dela? É o que vamos tentar construir ao longo deste texto…

De maneira geral, quando falamos em oralidade, pensamos na exposição oral, isto é, na palavra falada. A escrita é priorizada por muitos estudiosos, mas não existe sem a oralidade. Já o contrário, acontece. De maneira alguma, estou pretendendo fazer com que pense que por esse motivo a oralidade seja mais importante que a escrita. Pelo contrário, espero que saiba valorizar tanto uma, como outra, mas é importante que tenha noção da existência de sociedades orais (pessoas que ainda hoje vivem sem a escrita).

A linguagem não se resume à escrita. Não apenas a comunicação, mas o próprio pensamento está relacionado ao som. Mesmo a linguagem de sinais – usada por pessoas que têm problemas de audição – substitui a fala e depende do discurso oral. Vejam como a linguagem é oral: você nem imagina, mas de todas as milhares de línguas – talvez dezenas de milhares – faladas no curso da história humana,

2 Adaptado por Cristiane Rocha da Silva de: ONG, Walter J. Oralidade e cultura escrita: A tecnologização da palavra. Trad. Enid Abreu Dobranszky. Campinas, SP: Papirus, 1998. p 13-24: A Oralidade da Linguagem. 35

Ao compararmos os aspectos, características e funcionalidade que envolvem a palavra escrita e a falada, temos o propósito apenas de estabelecer uma reflexão mais dedicada ao tema, deixando de eleger uma forma de linguagem em detrimento de outra, mas sobretudo com  o objetivo de apresentar uma argumentação relevantes e consistentes sobre os contextos da comunicação oral, invariavelmente negligenciada nas pesquisas e estudos mais aprofundados em algumas dos diversos campos científicos.

É a voz do emissor é que está comunicando a mensagem devidamente interpretada por ele. Ele está  representado pela sua voz gravada analógica ou digitalmente com ou sem a opção do suporte visual.

Já  na escrita o leitor é quem empresta sua voz e ele quem interpretar a emoção contida no texto.

É comum vermos pessoas do meio universitário valorizando os textos como forma de representação do conhecimento acadêmico. Nada de errado com isso, muito pelo contrário – os textos são o melhor veículo para transmitir conhecimento através de um tempo indefinido. É apenas reflexo do fato de lidarmos cotidianamente com textos que nós os valorizemos tanto.

Entretanto, é errado desprezar o valor da comunicação oral, e é falacioso simplesmente negar que essa forma de comunicação possa ser confiável.

A fala pode ser simultânea com a visão, no caso mais imediato um professor pode explicar algo enquanto aponta para uma figura no quadro-negro; ou pode narrar algo enquanto projeta um slide, ou pode simplesmente acompanhar sua fala de gestos. Esta simultaneidade inexiste no texto – mesmo no hipertexto – aonde o máximo possível é a justaposição de imagens, textos e vídeos. Exceto quando o hipertexto se resume em um vídeo, mas nesse caso a propriedade de permitir a simultaneidade é do vídeo, e não do hipertexto.

Todo texto escrito, certamente, está relacionado aos sons. Quando se lê um texto, de certa forma, converte-se em som, sílaba por sílaba.

Assim, mais uma vez, vê-se que a língua escrita depende da língua falada, da oralidade.

Muitos estudiosos, durante séculos, rejeitaram a oralidade em virtude da relação do próprio estudo com a escrita. Mas as pessoas que vivem nessas comunidades orais têm sabedoria, aprendem com os mais velhos, considerados sábios. O saber é transmitido oralmente assim a memória daquela sociedade é garantida pela palavra, passando-se de geração para geração.

Na nossa cultura, qual é a importância da oralidade? Qual é a “função” da palavra falada, apenas promover a

comunicação diária entre as pessoas? A partir do que vem sendo mostrado, o que acha? Temos oralidade no rádio, na televisão, falando ao telefone… Não se esquecendo de que dependem da escrita e da impressão. O que prova que é difícil para nós imaginar a tradição puramente oral, pois vivemos sob o reinado da escrita. Não dá para pensar nas palavras e não pensar na escrita. Elas vêm na nossa mente na forma escrita.

Não é mesmo? As culturas orais produzem “construções” verbais impressionantes e belas, mas não são capazes de outras criações (o que a meu ver, não faz diferença para o modo devida deles). Assim, entende-se que para as comunidades nãoorais, a oralidade precisa e está destinada a produzir a escrita.

A cultura escrita é imprescindível ao desenvolvimento da ciência, da história, para a explicação da linguagem (inclusive a falada), enfim, da sociedade dita moderna. Dificilmente hoje, 36 existem pessoas que vivem numa comunidade predominantemente oral e que não tenham consciência das grandes oportunidades que a escrita proporciona. O que pode representar uma consciência angustiante para aqueles que desejam esse mundo cheio de atrativos da cultura escrita, mas que sabem que isso significará deixar para trás boa parte do que é fascinante e amado no mundo oral anterior.

E então? Está gostando? Ainda não acabou! Para terminar, gostaria que soubesse de algumas curiosidades…

Agora como já sabe, o modo de vida dessas pessoas – que vivem nessas comunidades orais – é muito diferente do nosso (língua, costumes, crenças etc). Um bom exemplo é uma comunidade localizada no continente africano. Lá, os nomes dos recém-nascidos não são escolhidos como na nossa cultura. Você sabe como o seu foi escolhido? Houve algum motivo especial (homenagem a um avô ou a alguém querido)?

Talvez, por causa do dia em que nasceu (dia do santo, data comemorativa)? Pois é, nessa comunidade, chamada Kasina, não são os pais quem escolhem os nomes de seus filhos. São os chefes dos clãs – uma espécie de Pajé das nossas tribos indígenas. Ah! Os ancestrais também são consultados por meio de um adivinho. Não pensem que os pais ficam chateados com isso. Eles têm respeito pela tradição e sabem que um nome tem que ser muito bem escolhido para trazer sorte para toda a comunidade. O recém-nascido pode ser um mensageiro de boas novas para todos. Está achando estranho? O que vai pensar então quando também souber da maneira como os nomes dos animais são escolhidos? Aposto que a sua gatinha se chama Mimi e que o cachorrinho do seu amiguinho se chama Sansão. Nos Kasina, o modo de escolher o nome dos animais é diferente, serve como um meio de comunicação, para transmitir uma mensagem: dizer que alguém da comunidade está errado, mandar um recado para um vizinho, dar uma resposta a alguém, como “faça para você mesmo”, ou melhor, cuide de sua vida. É… É isso mesmo… 37

Durante séculos acreditou-se que a linguagem escrita era mais correta e mais digna de estudo do que a linguagem oral, ou seja, a língua falada. Há séculos antes de Cristo já se estudava a língua em sua forma escrita, deixando de lado a forma oral, que deveria seguir as regras da escrita. Esse comportamento por parte dos estudiosos permaneceu até pouco tempo, mais exatamente até o início do séc. XX, quando um lingüista suíço de nome Saussure começou a questionar o privilégio dado à língua escrita, já que a fala é que sustenta toda a comunicação, mesmo quando escrita.

Saussure alertou os estudiosos para o engano de se pensar na escrita como a forma básica da linguagem, pois antes da escrita ser inventada pelo homem, ele já falava.

Os seres humanos comunicam-se de formas variadas e, a menos que tenham algum problema físico, utilizam todos os sentidos: tato, paladar, olfato e especialmente visão e audição. Há tipos de comunicação não-orais, quer dizer, que 3 Adaptação feita por Thaís Teixeira Monteiro de texto escrito por Walter J. Ong e traduzido por Enid Abreu Dobranszky, para estudo na 6 a série do ensino fundamental. 38 não utilizam palavras faladas, como a linguagem dos surdosmudos ou os sinais de trânsito. Contudo, mesmo nestas situações, a palavra está por trás, organizando nossos pensamentos quando vemos os gestos ou sinais. Se você já viu alguém se comunicando através de gestos, sabe que automaticamente, tentamos traduzir aqueles sinais em palavras. Da mesma maneira, quando vemos a placa de trânsito que é um triângulo de cabeça-para-baixo, mesmo sem haver nada escrito traduzimos a placa em palavras: dê a preferência. Os textos escritos também estão diretamente ligados ao mundo dos sons para comunicar seus significados, quer dizer, ler um texto é transformá-lo em som, em voz alta ou na imaginação. Sendo assim, a escrita não existe sem a oralidade (língua falada), mas a oralidade existe sem a escrita, como veremos abaixo.

A linguagem é tão primeiramente oral que no decorrer da história humana já existiram milhares de línguas faladas, mas somente 106 dessas línguas tiveram uma escrita suficiente para produzir literatura: textos de estórias, estudos, textos sagrados, relatos de acontecimentos históricos, etc.

Atualmente há cerca de 3 mil línguas faladas no mundo, entretanto apenas umas 78 têm literatura. Então, por que será que, apesar de a fala ter existido antes da escritas durante mais de 2000 anos deu-se preferência à língua escrita?

Vamos imaginar como seria fazer estudos e pesquisas em uma sociedade onde não houvesse escrita. Já pensou como seria complicado classificar e descrever todos os tipos de aves, ou de peixes sem poder escrever nada? Como registrar o resultado das pesquisas feitas? Como saber o que já foi estudado por outras pessoas, tempos atrás? Impossível guardar tudo na cabeça! Com isto quero mostrar que não há estudo que evolua se não houver escrita. As pessoas que pertencem a sociedades onde não há qualquer tipo de escrita aprendem muitas coisas e possuem grande sabedoria, porém não estudam. Aprendem pela prática, por exemplo, aprendem 39 a caçar, caçando com pessoas mais experientes no assunto; aprendem ouvindo os conselhos e provérbios ensinados pelos mais velhos repetem o que ouvem, fazem novas combinações do que ouvem, mas não estudam como nos estudamos.

Quando o estudo se torna possível por causa da invenção da escrita para determinada língua falada, uma das primeiras coisas que se estuda é a própria linguagem. Por causa dessa possibilidade de desenvolver estudos através da escrita, os estudiosos da linguagem acabaram se concentrando nos textos escritos, privilegiando-os, como se eles existissem antes da fala, e mais ainda, como se fossem modelo para o jeito certo de falar.

É certo que a escrita aumenta muito as possibilidades da linguagem, dando a ela um poder muito maior do que o de uma língua simplesmente oral. Uma língua sem escrita possui muito menos palavras porque nossa mente não consegue armazenar um número tão grande de informações, como de um dicionário. Além disso, os falantes de uma língua sem escrita não têm conhecimento da história e da evolução da própria língua. Apesar disso, as culturas orais (sem escrita) produzem realizações impressionantes e belas, de alto valor artístico e humano, que já não são possíveis quando a escrita passa a fazer parte da mente das pessoas. Por tudo que foi dito, concluímos que o ser humano não consegue atingir o máximo de sua capacidade intelectual se não houver escrita, entretanto ela não deve ser considerada mais importante e mais correta do que a linguagem orais que existe antes da linguagem escrita e através da qual organizamos nossos pensamentos e damos significado ao que lemos. 40

Professora titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) e do programa de pós-graduação da Universidade de São Paulo (USP), Leonor Lopes Fávero, afirma que as “Manifestações da língua oral e escrita são manifestações da língua, então, para se entender a língua na sua totalidade, precisa-se estudar o oral também e não só o escrito.

A professora ratifica a importância de não tomar o texto falado como o lugar do erro.

Percebemos que infelizmente ainda hoje a oralidade é ensinada superficialmente, ou seja, sem objetivo especifico, sem a menor preocupação de um ensino organizado e estruturado, com finalidades para o desenvolvimento da escrita.

Um dos obstáculos que se colocam contra o desenvolvimento pleno da habilidade oral diz respeito ao fato considerarmos que a criança já fala ao chegar à escola, o que leva muitas pessoas a pensarem que ela já tem um domínio da modalidade oral.

Contudo, as instituições escolares dão à fala atenção quase inversa à sua centralidade na relação com a escrita. Crucial neste caso é que não se trata de uma contradição, mas de uma postura.

É estranho que, numa cultura tão preocupada com a inteligência, nossas aptidões sejam medidas em grande parte como habilidades em leituras, escrita e uso do computador, enfatizando quase exclusivamente, o pensamento linear do hemisfério esquerdo do cérebro.

É claro que precisamos desenvolver estas habilidades essenciais.

Mas elas não podem ser tão fundamentais quanto às aptidões para ouvir e falar.

É complicadíssimo para pessoas de uma cultura escrita pensar nas palavras sem vinculá-las à escrita, entretanto, a oralidade pode existir sem a escrita, mas nunca a escrita existirá sem a oralidade.

É interessante destacar que a nossa audição normalmente se torna mais aguda quando não temos pistas visuais que são preenchidas pela imaginação, lacunas preenchidas pelo imaginário.

Na teoria de atos da fala com base nas conferências proferidas por John Austin, em 1955, na Universidade de Harvard, EUA, ele afirma “dizer é transmitir informações, mas é também (e sobretudo) uma forma de agir sobre o interlocutor e sobre o mundo circundante. (“todo dizer é um fazer”).

É nessa dimensão que uma palavra se situa antes de tudo. A palavra é essencialmente o meio de ser reconhecido. Ela está lá antes de toda coisa que está por detrás. E, é por lá que ela é ambivalente, absolutamente insondável. O que ela diz, é verdade? É o que não diz, é verdade? É uma miragem. É essa miragem primeira que vos assegura que estais no território da palavra.”

Jack Lacan

Dentro do campo de pesquisa e estudo do voice design, apresentamos uma reflexão sobre um dos maiores, senão o maior de todos os desafios da comunicação humana, trata-se da arte de aprender a ouvir.

Perceber, entender, compreender, dar atenção, valorizar, respeitar o direito do outro de se expressar até as últimas consequências, mesmo sem necessariamente concordar com o que está sendo dito.

Apesar de ser tão natural, a habilidade de ouvir é um dos maiores obstáculo o desenvolvimento humana.

Ouvir é interpretar os significados das palavras ditas, está na área da semântica. É o percurso que os sons inteligíveis fazem no processo cognitivo da compreensão da mensagem.

Já o escutar está relacionado com o contexto existencial da alma do ouvinte, vinculando fenômenos mentais, emocionais, da vontade, do temperamento, do humor, implica no ato de se colocar no lugar do outro, da empatia que vem a ser ajustar-se ao estilo, ao momento psicológico, crenças e valores do interlocutor e assim conseguir melhor o entendimento.

Apesar de nossa anatomia, nossa constituição nos prover uma boca e dois ouvidos, normalmente preferimos mais falar do que ouvir,

O excelente comunicador é, acima de tudo, um bom ouvinte, o que exige uma série de posturas e atitudes externas e principalmente internas.

Ouvir não significa simplesmente acompanhar o que o falante está dizendo, mas aceitá-lo como ele  é, entender os seus contextos e circunstancias, com suas virtudes e defeitos, crenças e emoções, valores, conceito e preconceito.

Se desejamos ouvir o outro de verdade, primeiro é necessário querer e esse querer precisa ser uma vontade genuína que não nos fará desistir diante da primeira dificuldade.

Walter Longo, um dos mais consagrados profissionais de Comunicação e do Marketing, reflete que ha pouco mais de um século atrás, a maneira das pessoas se comunicarem, comprarem, venderem e fazerem negócio era através do diálogo.

Com o surgimento da mídia de massa, o surgimento da revolução industrial nos passou a gerar a palavra através da escrita.

O que o mundo digital está trazendo é o retorno da possibilidade do diálogo pessoal, direto, humano e individual.

Há ma tendência nas empresas, infelizmente, de evitar riscos, tentando escrever e não falar, porque ao escrever você pensa antes, você revisa, e falar é algo muito mais natural, onde você coloca o verdadeiro sentimento.

Num momento que tudo está mudando tão rapidamente, a grande risco hoje para as organizações é não ariscarem.

O grande risco é tentar manter e continuar mantendo um monólogo, onde escrevemos e alguém lê ou aonde falamos e alguém ouve.

Daqui prá frente será muito mais ariscado ter o medo de se arista, de iniciar um diálogo constante e permanente com nosso público.

Quanto menos tentar evitar este risco, treinarem suas pessoas para se expressarem de maneira natural e espontânea o que eles têm a dizer e a palavra falada e ouvida deve ter um papel preponderante, também na Era Digital, concluiu.

Num primeiro momento pode parecer que a comunicação escrita vai prevalece sobre a comunicação falada no ambiente digital, por não incomoda com quem você está se comunicando, enquanto ele está fazendo alguma coisa ou mesmo conversando com alguém, ele pode interagir com você.

Com principalmente as tecnologias disponíveis e das que estarão surgindo, a palavra falada passará a ter novamente preponderância.

Num mundo onde a escassez do tempo supera qualquer outro favor existencial, justamente por permitir que outras funções indispensáveis e inadiáveis possam ser realizadas, enquanto se está ouvindo conteúdos de interesse, quando e onde o ouvinte desejar.

O que a palavra falada na era digital esta trazendo de volta, é a ampliação da capacidade humana de dialogar.

Ao compararmos os aspectos, características e funcionalidade que envolvem a palavra escrita e a falada, temos o propósito apenas de estabelecer uma reflexão mais dedicada ao tema, deixando de eleger uma forma de linguagem em detrimento de outra, mas sobretudo com  o objetivo de apresentar uma argumentação relevante e consistente sobre os contextos da comunicação oral, invariavelmente negligenciada nas pesquisas e estudos mais aprofundados em algumas dos diversos campos científicos.

No meio universitário observa-se a valorização dos textos como forma de representação do conhecimento acadêmico. Isso se justifica pelo fato dos textos serem o melhor veículo através de um tempo indefinido, sua capacidade documental, de registro para transmitir conhecimento.

De acordo com Marcuschi [4], a fala é uma atividade muito mais central do que a escrita no dia-a-dia da maioria das pessoas. Contudo, as instituições escolares dão à fala atenção quase inversa à sua centralidade na relação com a escrita. Crucial neste caso é que não se trata de uma contradição, mas de uma postura.

Numa cultura em que nossas competências em grande parte mensuradas pela habilidades em leitura, escrita e uso do computador, enfatizando quase exclusivamente, o pensamento linear. É claro que precisamos desenvolver estas habilidades essenciais. Mas elas não podem ser tão fundamentais quanto às aptidões para ouvir e falar.

Para o Dr. Alfred Tomatis: “O poder da audição não deve ser subestimado. Ouvir é vibrar em conjunto com o outro ser humano.” [5]

Segundo Campbell [6], ouvir absorve em média 55% do nosso tempo de comunicação, enquanto o falar ocupa 23%, ler, 13%, e escrever  9%.

É essencial que tenhamos consciência e permanente controle sobre tudo aquilo que dizemos, tanto na vida pessoal, como na atividade profissional.

Usa-se palavras o tempo todo e nem sempre pensamos no que dizemos e como falamos. Ela tanto pode aproximar como afastar; tanto pode oprimir como libertar; tanto pode promover a vida como matar. Determina palavra dita em determinado contexto, pode matar a pessoa a quem está sendo dirigida, os sonhos dela, suas aspirações, seu futuro, sua vida.

Tudo o que dizemos repercute positiva ou negativamente. Somos responsáveis pelas afirmações ou negações que proferimos. No livro de provérbios está escrito ‘A linguagem humana é profunda como o mar, e as palavras dos sábios são como os rios que nunca secam’.

Ainda no mesmo livro ‘O lábio da verdade permanece para sempre, mas a língua da falsidade, dura por um só momento’. Os recursos usados para fins de prova judicial como a escuta telefônica, gravações de voz secreta estão atestam a amplitude do poder exatidão da identificação do indivíduo pela voz.

Sim, a voz é a plena manifestação do ser e a que mais intensamente expõe da sua alma, de as suas particularidades. Por isso acreditamos que entre outras razões, este seja um dos motivos das pesquisas revelarem que o maior medo da maioria das pessoas é de falar em público, superando o medo de altura.

Uma pesquisa feita pelo jornal inglês Sun Day Times com três mil americanos questionou qual o seu pior medo. Ao todo, 41% disseram que era falar em público e 32% têm mais medo de altura.

Uma enquete realizada por VOCÊ S.A. na Internet no final de abril de 2012 mostra o quanto esse temor atinge os executivos brasileiros. Os números: 64% de 481 leitores que responderam à pesquisa dizem ter medo de falar em público  66% de 261 assumem que esse é um de seus maiores medos.

No universo digital que tudo que é escrito exige atenção exclusiva, numa época em que as pessoas têm cada vez menos tempo para obtenção de informação, de conhecimento. A voz, o som, a palavra falada podem ser consumidas concomitantemente com outras atividades, inclusive para fins educacionais. Em contraponto, a leitura exige dedicação exclusiva.

Por isso, a tendência no universo digital é progressivamente se valer da palavra falada para obter informação, para adquirir conhecimento ou mesmo entretenimento  com o tempo cada vez mais escasso. Assim, a palavra falada ganha um enorme poder de comunicação diretamente proporcional à medida crescente do mundo digital, em especial através dos recursos midiáticos.

Segundo um estudo conjunto realizado pelo Instituto de Pesquisas daUniversidade de Stanford, Universidade de Harvard e Fundação Carnegie, 15% das razões pelas quais se conquista, se mantém e se consegue uma promoção em um emprego estão ligados a capacidade e conhecimentos técnicos. Os 85% restantes, no entanto, estão ligados à habilidade para relacionar-se com os outros, além do grau de conhecimento sobre o comportamento humano que a pessoa com a qual está se relacionando possui. 

É muito mais fácil adquirir conhecimento técnico do que habilidades com pessoas.

E é para superar este desafio – melhorar nossos relacionamentos e comunicação – que existe a Avaliação DISC. Através da sua metodologia fácil e universal, é possível criar uma linguagem comum, adequada e respeitosa, permitindo a convivência e a comunicação harmoniosa entre todas e quaisquer pessoas, levando a maiores níveis de sucesso, felicidade e menos stress.

Para melhorar as relações conosco mesmo e com o mundo, o primeiro passo é nos conhecermos e nos aceitarmos. Não basta voltar os olhos apenas aos outros, é fundamental olhar para dentro.

“Aquele que conhece os outros é inteligente. Aquele que conhece a si mesmo é sábio”    Lao Tsé 

Entre os propósitos do voice design, considera-se:

  1. Expandir a consciência sobre o ato comunicacional;
  2. Entender a relações cognitivas da palavra e estéticas da voz;
  3. Conhecer o papel das funções da linguagem, especialmente a poética;
  4. Compreender o universo do som das palavras (fonética) e funcionamento cerebral da linguagem;
  5. Aprimorar o controle sobre o ato da fala como atributo básico de uma oralização eficaz;
  6. Elaborar um plano mental de conversação, incluindo alternativas para possíveis mudanças de rumo;.
  7. Como planejar tática e tecnicamente a sua comunicação oralizada;
  8. Aprender a ser assertivo na sua comunicação, com a prática de expressar seus conteúdos numa linguagem oral, baseada em frases curtas, evitando o uso de preposição.
  9. Discernir e monitorar a entonação, o ritmo, a velocidade, o volume, a freqüência, o tom de grave e de agudo da sua voz, entre outros elementos sonoros;
  10. Entender e aplicar o recurso do silêncio, da pausa, indispensável para gerar compreensão da mensagem;
  11. Avaliar em que contextos e circunstâncias a comunicação está sendo realizada;
  12. Identificar as características do perfil do discente e perceber o efetivo interesse sobre o que e como está sendo dito;
  13. Compreender a singularidade do poder do diálogo e como interagir oportunamente nas conversações;
  14. Conhecer os segredos da contação de história (storytelling)
  15. Comunicação escrita versus comunicação oral;
  16. Potencializar o exercício da associação de contextos cotidianos com as teorias apresentadas;
  17. Aprimorar o planejamento de aula, definindo sequenciadamente os temas, sub-temas e a elaboração dos respectivos roteiros;
  18. Otimização do tempo de exposição e  a eliminação de excessos;
  19. Aplicação de recursos visuais, gráficos convergentes com a exposição oral;
  20. Identificar e registrar os contextos e circunstancias de cada participante na sua comunicação intrapessoal;
  21. Identificar e mensurar o grau de audibilidade, compreendendo a habilidade de ouvir e de escutar (formação de duplas);
  22. Exercício de diálogo entre os participantes, alternando momentos de exposição de pensamentos breves seguidos de breves pausas;
  23. Exercício experiencial sobre o discurso transmitido pelo silêncio, o atributo comunicacional da pausa;